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Início Justiça

Polícia Federal aponta que Banco Digimais teria replicado modelo do Banco Master e investiga supostas fraudes contábeis

Por Junior Melo
23/jun/2026
Em Justiça
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

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A investigação da Polícia Federal que resultou na operação contra o Banco Digimais aponta que a instituição financeira teria adotado práticas semelhantes às identificadas no Banco Master, liquidado extrajudicialmente em 2025. Segundo a corporação, o chamado “modelo operativo” utilizado pelo Master serviu de referência para outras instituições financeiras de médio porte.

Em representação encaminhada à Justiça Federal, a PF afirma que, diante do cenário de instabilidade no mercado financeiro, o Digimais teria reproduzido mecanismos de captação considerados agressivos, como a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), manutenção de ativos de baixa liquidez, reavaliações patrimoniais questionadas e utilização da confiança dos investidores na cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Além das semelhanças operacionais, os investigadores destacam uma ligação entre as duas instituições. Em janeiro de 2025, Maurício Antonio Quadrado, ex-sócio e ex-executivo do Banco Master, tentou adquirir o Digimais por meio da holding Bluebank. A operação, no entanto, foi vetada pelo Banco Central devido aos riscos associados ao histórico e aos vínculos do proponente, segundo a Polícia Federal.

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Outro ponto levantado na investigação é a exposição do Digimais a aproximadamente R$ 600 milhões em carteiras de crédito do Banco Master. Após a liquidação da instituição, esses ativos passaram a ser questionados quanto à qualidade, ao lastro e à regularidade documental.

A PF também investiga uma operação realizada em março de 2025, na qual o Digimais teria cedido créditos estimados em R$ 660 milhões ao fundo FIDC EXP 1. De acordo com a investigação, a transação gerou disputa judicial após denúncias de inconsistências e ausência de documentação que comprovasse o lastro dos títulos negociados.

Para os investigadores, a combinação entre a exposição aos ativos do Master, a tentativa de aquisição do Digimais por um ex-executivo da instituição liquidada e as operações envolvendo carteiras de crédito sob suspeita reforça a tese de que o banco reproduziu mecanismos semelhantes aos identificados no caso do Banco Master.

FGC no centro das investigações

A representação da Polícia Federal também dedica um capítulo ao papel do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo os investigadores, administradores de instituições financeiras estariam utilizando a proteção oferecida pelo fundo para sustentar operações de risco e transferir prejuízos ao sistema financeiro.

A PF afirma que os recursos do FGC vêm sendo usados para promover a alavancagem artificial de instituições em crise e ressalta que o fundo foi criado para proteger depositantes e investidores, e não para absorver prejuízos decorrentes de fraudes ou crimes financeiros.

A investigação cita ainda negociações envolvendo uma possível venda do Digimais ao BTG Pactual, que, segundo informações de mercado mencionadas no documento, dependeria de uma injeção bilionária de recursos do FGC.

Ativos teriam sido reavaliados de R$ 71 milhões para R$ 741 milhões

Outro foco da investigação envolve supostas irregularidades contábeis identificadas pelo Banco Central em fundos ligados ao Digimais.

Segundo a Polícia Federal, direitos creditórios adquiridos por cerca de R$ 71 milhões passaram a ser registrados contabilmente por aproximadamente R$ 741 milhões após sucessivas reavaliações.

Embora o Banco Central tenha determinado o retorno dos ativos ao valor original de aquisição, a investigação aponta que o banco posteriormente firmou um contrato para vender essas cotas à sua controladora, a B.A. Empreendimentos e Participações, pelo valor de R$ 741,3 milhões.

De acordo com a PF, não houve entrada efetiva de recursos no caixa da instituição, já que o pagamento estaria previsto apenas para 2032. Para os investigadores, a operação teve como objetivo manter a aparência de solidez financeira nos balanços do banco.

A Polícia Federal afirma ainda que a transação ultrapassou em aproximadamente R$ 699 milhões os limites regulatórios de exposição de crédito e pode configurar uma operação vedada entre a instituição financeira e sua controladora.

Alvos da operação

A Polícia Federal solicitou mandados de busca e apreensão contra diretores e ex-executivos do Banco Digimais, responsáveis pela área contábil e administradores ligados à ID Corretora, apontada como participante da gestão de fundos relacionados à instituição.

O bispo Edir Macedo, controlador do banco, é citado na representação apenas nessa condição. Segundo a PF, não foram solicitados mandados de busca contra ele porque reside no exterior.

Além das buscas, a investigação pede o bloqueio de bens, a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, além da apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos que possam contribuir para o andamento das apurações.

Até o momento, os investigados poderão apresentar suas manifestações no decorrer do processo, e as acusações ainda serão analisadas pela Justiça.

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