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Início Justiça

Justiça dos EUA aceita entrada do Brasil em ação movida por Rumble e Trump Media contra Alexandre de Moraes

Por Junior Melo
23/jun/2026
Em Justiça
Foto: Gustavo Moreno/STF

Foto: Gustavo Moreno/STF

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A Justiça Federal da Flórida aceitou o pedido do governo brasileiro para participar da ação movida pelas empresas Rumble e Trump Media contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A decisão foi proferida nesta terça-feira (23) e reconhece o Brasil como parte interessada no processo.

O pedido de intervenção foi apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU), que contratou um escritório de advocacia nos Estados Unidos para representar o Estado brasileiro. O principal argumento é que decisões do Supremo Tribunal Federal, tomadas no exercício da soberania nacional, não podem ser analisadas ou revistas por tribunais estrangeiros.

Apesar de admitir a participação do Brasil na ação, a juíza Mary Scriven deixou para decidir posteriormente sobre o pedido da AGU para extinguir o processo. A partir de agora, o governo brasileiro poderá apresentar esclarecimentos e defender formalmente a validade das decisões questionadas.

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Pedido de revelia é negado

Na mesma decisão, a Justiça norte-americana negou o pedido apresentado por Rumble e Trump Media para que Alexandre de Moraes fosse julgado à revelia, em razão de não ter apresentado defesa diretamente no processo.

Segundo a AGU, a magistrada determinou a suspensão de qualquer decretação de revelia até que seja analisado o pedido de extinção da ação apresentado pelo Brasil.

Argumentos da AGU

Na manifestação enviada à Justiça dos Estados Unidos, a AGU sustenta que o verdadeiro interessado no processo é o Estado brasileiro, já que as medidas questionadas foram adotadas pelo Supremo Tribunal Federal no exercício de suas atribuições constitucionais.

O órgão também afirma que o princípio da imunidade de jurisdição, reconhecido pelo Direito Internacional e pela legislação norte-americana, impede que atos praticados por autoridades de um Estado soberano sejam julgados por tribunais de outro país sem consentimento.

Além disso, a AGU ressalta que, pela legislação brasileira, ministros do STF não podem ser responsabilizados pessoalmente por decisões tomadas no exercício de suas funções, e que eventuais contestações às decisões da Corte devem ocorrer exclusivamente dentro do sistema judicial brasileiro.

Entenda o processo

A ação foi apresentada nos Estados Unidos pelas empresas Rumble e Trump Media, que buscam impedir a aplicação de decisões de Alexandre de Moraes relacionadas ao bloqueio de contas e à restrição de conteúdos em plataformas digitais.

As empresas alegam que essas determinações violariam garantias constitucionais previstas na legislação dos Estados Unidos, especialmente relacionadas à liberdade de expressão.

Como o processo foi movido apenas contra o ministro Alexandre de Moraes, a AGU pediu o ingresso formal do Brasil na ação, defendendo que as decisões contestadas representam atos do Estado brasileiro, e não iniciativas pessoais do magistrado.

STF acompanha o caso

No início do mês, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, solicitou que a Advocacia-Geral da União adotasse as medidas cabíveis para acompanhar o processo nos Estados Unidos.

Segundo Fachin, a discussão envolve não apenas a atuação de um ministro da Corte, mas também a independência do Poder Judiciário brasileiro e a soberania nacional.

A iniciativa ocorreu após a Justiça norte-americana autorizar que Alexandre de Moraes fosse notificado por e-mail sobre a existência da ação, permitindo o avanço do processo.

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