Uma pequena cidade do interior de Mato Grosso do Sul pode estar prestes a viver uma das maiores transformações econômicas de sua história com a chegada de uma megafábrica bilionária de celulose.
Como será a megafábrica bilionária chilena que vai transformar Inocência?
O município de Inocência, conhecido como “Cidade do Romance”, foi escolhido para receber o Projeto Sucuriú, uma das maiores fábricas de celulose do mundo construída em etapa única. O investimento é liderado pela multinacional chilena Arauco.
O aporte estimado é de cerca de US$ 4,6 bilhões (aproximadamente R$ 25 bilhões), com foco em ampliar a produção global de celulose sustentável. A operação reforça a presença do Brasil no mercado internacional do setor.
Por que Inocência foi escolhida para receber o megaprojeto?
A decisão de instalar a fábrica em Inocência não foi aleatória. A empresa destacou fatores estratégicos essenciais para a viabilidade do empreendimento no interior do estado.
Entre os principais critérios avaliados estão condições naturais e logísticas que favorecem a produção em larga escala:
- Clima adequado para cultivo de eucalipto
- Disponibilidade hídrica na região
- Qualidade do solo para base florestal
- Logística de transporte eficiente
- Expansão da base de reflorestamento no estado
Quantos empregos e impactos econômicos o projeto deve gerar?
A fase de construção da megafábrica deve provocar um impacto imediato na economia regional, com geração massiva de empregos. A estimativa é de cerca de 14 mil vagas diretas e indiretas.
Esse número supera a população atual do município, que possui pouco mais de 8,7 mil habitantes, o que evidencia a dimensão do projeto. Além disso, o impacto deve se espalhar por diversos setores da economia local:
- Crescimento do mercado imobiliário
- Expansão do comércio e serviços
- Aumento da demanda por hotéis e alimentação
- Pressão sobre infraestrutura urbana
- Chegada de fornecedores e trabalhadores especializados
Mato Grosso do Sul pode se tornar o maior polo de celulose do mundo?
O estado de Mato Grosso do Sul já é um dos principais produtores de celulose do país, com cerca de 7,5 milhões de toneladas anuais, impulsionado por empresas como Suzano e Eldorado Brasil.
Com a chegada da nova unidade da Arauco, a projeção é de que o estado avance ainda mais no ranking global do setor. O Brasil, hoje segundo maior produtor mundial de celulose, pode consolidar ainda mais sua posição na próxima década. Veja imagens da fábrica (Reprodução/Instagram/@babalizandoms):
Como energia, sustentabilidade e infraestrutura serão impactadas?
O projeto do complexo industrial prevê não apenas produção de celulose, mas também geração de energia limpa a partir de subprodutos do processo industrial.
A capacidade estimada é de aproximadamente 400 MW de energia renovável, sendo parte consumida pela própria fábrica e o excedente enviado ao sistema nacional. Essa estrutura energética traz impactos relevantes para o setor:
- Cerca de 200 MW usados pela própria operação
- Aproximadamente 220 MW destinados ao Sistema Interligado Nacional
- Energia suficiente para abastecer até 800 mil habitantes
- Redução de dependência de fontes externas
O que muda para a cidade com a chegada da megafábrica?
A chegada do empreendimento já começa a transformar a dinâmica econômica e urbana de Inocência. O setor imobiliário, por exemplo, já registra movimentação antecipada de investidores. Veja os impactos da fábrica:
Quando a fábrica começa a operar no Brasil?
A pedra fundamental do projeto foi lançada em abril, marcando oficialmente o início da implantação da estrutura industrial. A previsão é que a primeira produção aconteça no quarto trimestre de 2027.
Com operações em mais de 80 países, a Arauco reforça sua posição como uma das líderes globais em celulose sustentável, energia renovável e produtos florestais. O avanço do projeto também mostra como o interior do Brasil continua atraindo grandes corporações globais, assim como ocorreu com a instalação da maior fábrica da Coca-Cola em Jundiaí.