O túnel imerso deixará de ser apenas uma tecnologia usada em outros países e passará a fazer parte da infraestrutura brasileira com dois projetos que somam R$ 7,7 bilhões e prometem transformar a ligação entre importantes cidades litorâneas.
Quais os primeiros túneis imersos do Brasil?
O país caminha para inaugurar uma nova etapa da engenharia nacional com a construção de dois túneis imersos. As obras ligarão Santos e Guarujá, em São Paulo, e Itajaí e Navegantes, em Santa Catarina.
Apesar de estarem em fases diferentes, ambos utilizam a mesma tecnologia para atravessar áreas portuárias sem prejudicar a navegação, solucionando um problema histórico de mobilidade entre cidades separadas por canais.
Como os dois projetos vão melhorar o deslocamento?
Os túneis foram planejados para reduzir o tempo de viagem e eliminar gargalos causados pelas atuais alternativas de travessia. Além de beneficiar moradores, também devem favorecer o transporte de cargas. Entre as principais vantagens esperadas estão:
- Ligação direta entre cidades separadas por áreas portuárias;
- Menor tempo de deslocamento para motoristas;
- Redução da dependência de balsas e rotas mais longas;
- Preservação da operação dos portos durante a travessia;
- Melhoria da mobilidade regional e do fluxo de veículos.
Quais as fases do túnel Santos-Guarujá?
O empreendimento paulista é o mais adiantado entre os dois projetos. O leilão ocorreu em setembro de 2025, o contrato com a Mota-Engil foi assinado em janeiro de 2026 e os primeiros recursos já foram liberados pelos governos estadual e federal.
Com investimento de aproximadamente R$ 7,14 bilhões, sendo R$ 5,14 bilhões públicos e cerca de R$ 2 bilhões da concessionária, a obra deverá começar em janeiro de 2027 e ser concluída em 2031. O túnel terá 900 metros de extensão e ficará a cerca de 18 metros de profundidade.
O túnel entre Itajaí e Navegantes também avança?
Em Santa Catarina, o projeto ainda está na etapa de preparação. O CIM-Amfri iniciou a contratação dos estudos de mobilidade e da modelagem da Parceria Público-Privada (PPP) que permitirá viabilizar a construção.
Se o cronograma for mantido, a empresa responsável será definida no primeiro semestre de 2027. As obras deverão começar no fim do mesmo ano, com entrega prevista para 2033, investimento de R$ 600 milhões, extensão de 548 metros e profundidade aproximada de 30 metros. Veja imagens do projeto (Reprodução/Facebook/Deputado Ivan Naatz):
Como os túneis podem transformar a infraestrutura brasileira?
Além de representar um avanço tecnológico inédito, os dois empreendimentos podem servir como referência para futuras ligações em outras regiões costeiras do Brasil. A adoção do modelo imerso amplia as alternativas de engenharia para cidades cortadas por canais e áreas portuárias.
Quando estiverem concluídos, os projetos também devem reduzir congestionamentos, facilitar a integração regional e aumentar a eficiência logística, especialmente em corredores estratégicos do litoral brasileiro, reforçando a importância da infraestrutura para o desenvolvimento econômico.