O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) investiga se publicações de Neymar Jr. e influenciadores ligados à Blaze podem ter incentivado consumidores vulneráveis a apostas on-line e ao endividamento.
O que o MPDFT está investigando sobre a Blaze?
O MPDFT apura possíveis irregularidades em publicações feitas por Neymar Jr., Virginia Fonseca, Lucas Lira e Bruna Unaik em parceria com a plataforma de apostas Blaze. A investigação busca entender se houve influência sobre consumidores em situação de vulnerabilidade.
Segundo o órgão, esse tipo de divulgação pode estar ligado ao agravamento do endividamento familiar e a impactos diretos na saúde financeira de usuários que acessam plataformas de apostas on-line.
Por que Neymar e Virginia estão sendo citados na apuração?
A presença de grandes influenciadores digitais e celebridades na publicidade da Blaze é um dos focos do inquérito civil. O MP quer avaliar se a associação de imagem contribuiu para ampliar o alcance das campanhas.
Nomes como Neymar Jr. e Virginia Fonseca aparecem por terem participado de ações promocionais da plataforma, o que pode ter ampliado a exposição do público às apostas digitais.
A publicidade com termo renda extra é alvo da investigação
Um dos principais pontos analisados pelo Ministério Público é o uso da expressão “renda extra” em campanhas publicitárias. A suspeita é de que a linguagem possa ter induzido consumidores a uma percepção equivocada sobre ganhos fáceis.
A investigação também quer saber se a Blaze orientava influenciadores a adotar esse tipo de abordagem em seus conteúdos patrocinados. Além disso, o documento apura diretrizes de marketing da empresa e possíveis práticas de indução ao consumo. Entre os focos estão:
- Uso de linguagem persuasiva em campanhas digitais
- Orientações internas para influenciadores
- Promessas implícitas de ganhos financeiros rápidos
- Impacto sobre consumidores vulneráveis
Quais denúncias contra a Blaze estão sob análise do Ministério Público?
Além da publicidade, o inquérito civil também analisa denúncias de usuários relacionadas ao funcionamento da plataforma. O objetivo é verificar possíveis práticas abusivas e violações ao direito do consumidor.
Entre os pontos investigados estão bloqueios de contas, retenção de valores e exigências consideradas excessivas para liberação de bônus. O MP também apura se há cumprimento das normas de proteção ao consumidor e da legislação de apostas de quota fixa, especialmente em relação à transparência das operações.
Quantas reclamações motivaram a investigação?
A abertura do procedimento foi motivada por denúncias de usuários e por um relatório técnico que aponta mais de 42 mil reclamações contra a Blaze. O volume de queixas reforçou a necessidade de investigação.
Como parte das diligências, a empresa terá prazo de 15 dias para prestar esclarecimentos e apresentar informações detalhadas sobre suas práticas operacionais. Entre os pontos exigidos estão:
- Processos de abertura e encerramento de contas
- Regras para bloqueio e manutenção de usuários
- Políticas de bônus e valores retidos
- Mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro
Quais os impactos das investigações?
O caso pode resultar em uma ação por danos morais coletivos estimada em cerca de R$ 120 milhões, caso sejam confirmadas práticas abusivas. A medida busca responsabilizar possíveis danos causados aos consumidores.
A empresa, operada pela Foggo Entertainment Ltda. e registrada em Curaçao, também foi oficiada pela Senacon, que deverá encaminhar relatórios e eventuais processos administrativos já existentes. A apuração segue em andamento e pode ampliar o escopo conforme novos documentos e respostas forem apresentados pelas partes envolvidas.