O uso do bloco de notas no celular de Daniel Vorcaro passou a ser um dos pontos centrais de uma investigação da Polícia Federal sobre comunicações ligadas ao Banco Master. Os registros recuperados indicam conversas com teor sigiloso sobre o andamento das apurações.
Como a PF recuperou mensagens apagadas do celular de Daniel Vorcaro?
Segundo os relatórios, parte desse conteúdo foi apagada após ser escrita, o que reforçou a suspeita de tentativa de ocultação de mensagens sensíveis. O material integra documentos enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF). A Polícia Federal conseguiu restaurar arquivos que haviam sido apagados do bloco de notas do celular de Vorcaro. Entre eles, estavam registros de interações consideradas relevantes para a investigação.
Essas anotações foram incluídas em relatórios oficiais que se tornaram públicos após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, divulgada na terça-feira (16).
Quais nomes foram citados nos registros obtidos pela PF?
Em diferentes anotações, Vorcaro mencionou nomes de autoridades e servidores ligados às investigações do Banco Master. Parte dessas referências chamou atenção por envolver instituições de alto escalão.
Antes da lista, os investigadores destacaram que os registros indicam circulação de informações internas e encontros sigilosos. Entre os nomes citados estavam representantes da PF, do Banco Central e do Ministério Público Federal:
- Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central
- Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal
- Paulo Gonet, procurador-geral da República
- Integrantes da PF que participaram de reunião sigilosa
- Procuradores do Ministério Público Federal envolvidos no caso
Os registros também apontam que essas menções ocorreram em contexto de investigações ainda iniciais sobre o Banco Master, ampliando a atenção dos órgãos de controle.
O que dizia a mensagem enviada por Daniel Vorcaro?
Uma das mensagens recuperadas mostra uma comunicação enviada por Vorcaro em 30 de outubro de 2025, direcionada a um interlocutor não identificado pela investigação. O conteúdo mistura agenda pessoal e informações sobre o banco.
Na nota, ele menciona a possibilidade de mudança de viagem para Abu Dhabi e fala sobre aportes financeiros, incluindo R$ 800 milhões já recebidos e expectativa de mais R$ 400 milhões. Em seguida, o texto traz referências a supostas pressões sobre o Banco Central e cita nomes de autoridades, além de alertas sobre investigações conduzidas pela PF e pelo MPF.
Por que o uso do bloco de notas chamou atenção dos investigadores?
Para a investigação, o uso do bloco de notas seria uma estratégia para dificultar o rastreamento de conversas mais sensíveis. Em vez de aplicativos de mensagens, o conteúdo era escrito, apagado e possivelmente compartilhado de forma indireta.
A Polícia Federal destaca nos relatórios que esse padrão pode indicar tentativa de ocultação de comunicações relevantes. O fato de mensagens terem sido apagadas poucos minutos após a criação reforçou essa leitura. Os investigadores também apontam que o material sugere possível circulação de informações internas envolvendo agentes públicos e decisões em análise por órgãos reguladores.
Como as investigações sobre o Banco Master avançam no STF?
As informações fazem parte de um conjunto de relatórios enviados ao STF, que analisa o andamento das investigações relacionadas ao Banco Master. O caso segue sob sigilo parcial em diferentes frentes. O ministro André Mendonça tornou públicos trechos desses documentos, permitindo maior acesso às informações sobre o conteúdo recuperado pela PF.
As apurações continuam focadas em entender a origem das informações citadas nos registros e o possível fluxo de dados entre agentes privados e públicos. O caso ainda está em fase de consolidação de provas e análise de interlocutores.