A empresária Roberta Luchsinger afirmou em depoimento à Polícia Federal nesta quarta-feira (20/5) que nunca repassou dinheiro ao empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, durante as investigações sobre supostas fraudes no INSS envolvendo o chamado “Careca do INSS”.
Como Roberta relatou sobre possíveis repasses de dinheiro para Lulinha?
Segundo o depoimento prestado à PF, Roberta declarou que jamais transferiu valores para Lulinha e negou qualquer participação dele em serviços ligados ao mercado de canabidiol no Brasil. A empresária admitiu ter recebido pagamentos do empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Ela afirmou aos investigadores que sua atuação era voltada exclusivamente para a regulamentação do setor de canabidiol e disse desconhecer qualquer ligação do empresário com desvios de aposentadorias investigados pela Polícia Federal. As informações são do jornal O Estadão.
PF investiga possível ligação empresarial com Careca do INSS
As investigações buscam esclarecer se Lulinha teria atuado como sócio oculto em negócios ligados ao mercado de canabidiol. A Polícia Federal também apura se parte dos valores recebidos por Roberta teria sido dividida com o filho do presidente.
De acordo com registros obtidos pelos investigadores, Roberta recebeu cerca de R$ 1,5 milhão do empresário investigado. No depoimento, porém, ela reforçou que Lulinha não participou das atividades e, por isso, não teria recebido qualquer pagamento.
Como a relação entre Roberta e Lulinha entrou na investigação?
Durante o depoimento, a empresária confirmou que apresentou Lulinha ao Careca do INSS. Ela também afirmou que mantém amizade antiga com o filho mais velho do presidente da República.
A defesa de Lulinha já reconheceu anteriormente que ele realizou uma viagem para Portugal custeada pelo empresário investigado. Segundo os advogados, o objetivo era prospectar oportunidades comerciais, mas nenhum contrato teria sido firmado.
O que diz a defesa de Roberta?
Em nota divulgada após o depoimento, a defesa da empresária afirmou que os esclarecimentos apresentados desmontam a linha de investigação levantada inicialmente pela Polícia Federal.
O advogado Bruno Salles declarou que Roberta foi alvo de uma “campanha difamatória” e criticou o tratamento dado ao caso. Segundo ele, os esclarecimentos demonstram a inexistência de qualquer prática ilícita envolvendo sua cliente.
Como a mudança na PF gera reação da oposição?
O depoimento aconteceu dias após a Polícia Federal trocar o delegado responsável pela coordenação da investigação da Operação Sem Desconto. O antigo responsável havia solicitado medidas como a quebra de sigilo bancário de Lulinha.
A PF informou que o caso foi transferido para a Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores para ampliar a estrutura da investigação. Mesmo assim, a mudança provocou reação de parlamentares da oposição. Entre os principais questionamentos levantados estão:
- Possível interferência política nas investigações
- Troca do delegado em fase considerada sensível
- Pedido de explicações feito pelo ministro André Mendonça
- Críticas feitas por parlamentares do PL
Como a oposição critica a troca de delegado na investigação?
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, afirmou que a substituição do delegado ocorreu justamente após pedidos de medidas investigativas envolvendo o filho do presidente da República. Para ele, “não existe coincidência” no momento da mudança.
Já o ministro do STF, André Mendonça, solicitou esclarecimentos formais à Polícia Federal sobre os motivos da alteração no comando da investigação. O caso segue em andamento e ainda não há conclusão oficial das apurações.