A indicação do ministro do Superior Tribunal de Justiça Benedito Gonçalves para o Conselho Nacional de Justiça já começa a enfrentar forte resistência política dentro do Senado Federal.
Após a recente rejeição do nome de Jorge Messias, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro articulam uma nova ofensiva contra um magistrado que teve atuação destacada no Tribunal Superior Eleitoral durante as eleições de 2022.
Atualmente de volta ao STJ, Benedito Gonçalves foi corregedor-geral eleitoral e considerado um dos principais nomes de confiança do então presidente do TSE, Alexandre de Moraes, durante o período eleitoral. Entre apoiadores da direita, o ministro passou a ser constantemente lembrado pela frase “missão dada é missão cumprida”, dita durante a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, declaração que acabou sendo interpretada por críticos como um símbolo de alinhamento político dentro da Corte Eleitoral.
Um dos parlamentares mais empenhados em barrar a indicação é o senador Eduardo Girão. Em publicação nas redes sociais, Girão afirmou que votará contra a aprovação de Benedito Gonçalves no CNJ e prometeu atuar para convencer outros senadores a rejeitarem o nome indicado pelo Palácio do Planalto.
Na postagem, o senador associou Benedito Gonçalves a decisões tomadas pelo TSE nas eleições de 2022 e voltou a fazer críticas ao Supremo Tribunal Federal e ao Judiciário brasileiro. Girão também afirmou que pretende intensificar cobranças por investigações e pela instalação de CPIs relacionadas a temas políticos e institucionais em Brasília.
Nos bastidores do Senado, parlamentares da oposição avaliam que a votação poderá se transformar em um novo teste para a articulação política do governo Lula. A recente rejeição de Jorge Messias aumentou o clima de tensão entre o Palácio do Planalto e setores mais conservadores da Casa, que passaram a enxergar maior possibilidade de derrotas em indicações consideradas estratégicas pelo governo.
Aliados do governo, por outro lado, acreditam que Benedito Gonçalves possui trajetória jurídica consolidada e reúne respaldo suficiente para aprovação. Mesmo assim, a mobilização antecipada da oposição já demonstra que a indicação deverá provocar intenso debate político nas próximas semanas.