A Polícia Federal afastou um perito criminal suspeito de vazar informações sigilosas ligadas a investigações envolvendo o Banco Master. A decisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito da operação Compliance Zero.
O que motivou o afastamento do perito da PF?
O afastamento do servidor ocorreu após indícios de que ele teria acessado e repassado dados sigilosos obtidos em investigações internas da Polícia Federal. As informações estariam relacionadas a materiais apreendidos em fases anteriores da apuração.
Segundo as investigações, o foco está em possíveis violações de dever funcional e quebra de sigilo. O caso tramita sob supervisão do Supremo Tribunal Federal, que autorizou medidas cautelares contra o investigado.
Como funcionava o suposto vazamento de informações sigilosas?
De acordo com a PF, o perito teria compartilhado informações com integrantes da imprensa a partir de análises de materiais apreendidos. Esses dados faziam parte de investigações que envolvem o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
As apurações indicam que os vazamentos ocorreram entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. Entre os dados expostos estariam documentos sensíveis ligados a contratos e movimentações sob investigação.
Quais medidas foram determinadas pelo STF?
No âmbito da operação, o ministro André Mendonça autorizou uma série de ações para aprofundar as investigações. As medidas atingem diretamente o servidor suspeito de violar o sigilo funcional.
Entre as principais determinações estão ações de busca e restrições cautelares aplicadas pela Justiça:
- Afastamento imediato do perito investigado
- Cumprimento de 2 mandados de busca e apreensão
- Aplicação de outras medidas cautelares autorizadas pelo STF
- Apreensão de dispositivos e materiais de interesse investigativo
O que diz o STF sobre jornalistas e sigilo da fonte?
O Supremo Tribunal Federal reforçou que profissionais de imprensa não são alvo da investigação em curso. A Corte destacou que o foco está exclusivamente na conduta de servidores públicos.
Segundo o tribunal, permanece garantida a proteção constitucional do sigilo da fonte, princípio essencial à atividade jornalística. O objetivo da operação é apurar eventual quebra de dever funcional. A posição foi reiterada em nota oficial, reforçando que não há direcionamento investigativo contra veículos de comunicação ou jornalistas envolvidos na divulgação das informações.
Qual é a origem das informações sobre o contrato do escritório Barci de Moraes?
Entre os dados que vieram a público está o contrato entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, ligado à advogada Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
As informações foram publicadas originalmente pela jornalista Malu Gaspar, em coluna no jornal O Globo, detalhando valores e condições contratuais. Segundo os dados divulgados, o contrato previa honorários de R$ 3,6 milhões mensais, com valor total estimado superior a R$ 131 milhões ao longo de 36 meses.
Como o caso se conecta às investigações do Banco Master?
As investigações também envolvem dados da Receita Federal encaminhados à CPI do Crime Organizado, apontando pagamentos relevantes feitos ao escritório de advocacia. Parte dessas informações reforça a amplitude da apuração.
No período entre 2024 e 2025, o banco teria desembolsado cerca de R$ 80 milhões em honorários jurídicos. O contrato vigorou até a liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central.