Erguida em 1612 por colonos da França, São Luís ainda preserva no centro histórico cerca de quatro mil casarões coloniais e o maior acervo de azulejos portugueses das Américas. A capital do Maranhão é Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1997.
De fortaleza francesa a quarta cidade mais rica do Império
A história começou em 8 de setembro de 1612, quando o francês Daniel de La Touche batizou o lugar em homenagem ao rei Luís XIII. A ocupação durou pouco, e em 1615 os portugueses retomaram o território, que ainda passaria pelas mãos dos holandeses entre 1641 e 1644.
O ouro do Maranhão veio do algodão e do arroz. No século XIX, a cidade chegou a ser a quarta mais próspera do Brasil, atrás apenas de Salvador, Recife e Rio. Foi essa riqueza que ergueu os sobrados azulejados que hoje contam a história nas paredes.
Por que a capital recebeu o título de Patrimônio Mundial?
O Centro Histórico foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1974. Em 6 de dezembro de 1997, na 21ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, em Nápoles, a UNESCO incluiu São Luís na lista por unanimidade.
O título reconheceu o conjunto como o melhor exemplo preservado de cidade colonial portuguesa adaptada ao clima equatorial. Mais de mil casarões dos séculos XVIII e XIX, com fachadas revestidas de azulejos que protegem do calor e da umidade, formam um traçado urbano único nas Américas.
O que visitar pelas ruas azulejadas do centro histórico?
O núcleo é compacto e dá para conhecer caminhando. As Ruas Portugal, da Estrela e do Giz concentram os melhores azulejos, e os museus ficam todos a poucos minutos de distância.
- Palácio dos Leões: construído pelos franceses em 1612, é a sede do governo do Maranhão e o ponto mais alto do centro, com vista para a baía.
- Catedral da Sé: inaugurada em 1699, antiga igreja jesuíta com altar-mor em ouro e arquitetura neoclássica.
- Teatro Arthur Azevedo: inaugurado em 1817, segundo teatro mais antigo do Brasil, com camarotes dourados e lustres originais.
- Casa das Tulhas: mercado em quarteirão fechado entre as ruas da Estrela, Portugal, da Feira e Djalma Dutra, com tambor de crioula às sextas à noite.
- Convento das Mercês: construção iniciada em 1654, atual sede da Fundação José Sarney.
- Fonte do Ribeirão: erguida em 1796, parte central da antiga rede de água da cidade e hoje tombada pelo IPHAN.
- Mirante da Cidade: 360 graus de visão panorâmica do alto do 10º andar de um edifício no coração do centro.
Este vídeo do canal Jumps Travel Documentary apresenta uma exploração por São Luís, no Maranhão, focando no contraste entre o centro histórico e a zona litorânea.
Mais de 80 padrões de azulejos contam a história nas paredes
O acervo azulejar é o maior das Américas. Especialistas catalogam mais de 80 padrões diferentes nas fachadas dos sobrados, com peças de origem portuguesa, francesa e holandesa.
O revestimento não foi apenas estético. Os azulejos protegem as paredes do calor equatorial e da umidade marítima, função decisiva para a preservação dos casarões ao longo de três séculos. As Ruas Portugal, da Estrela e do Giz concentram os mais belos exemplares e funcionam como roteiro fotográfico obrigatório.
A capital do Bumba Meu Boi e do reggae brasileiro
São Luís é a única capital do Brasil reconhecida como capital nacional do reggae. As radiolas tocam ritmo jamaicano em paredões de som desde os anos 1970, e o gênero virou trilha sonora de bairros inteiros da cidade.
A cultura popular maranhense também brilha no Bumba Meu Boi, manifestação reconhecida pelo IPHAN como Patrimônio Cultural Imaterial. O São João do Maranhão é um dos maiores festejos juninos do país, com apresentações que tomam o centro histórico durante todo o mês de junho.
O sabor maranhense entre o caranguejo e o arroz de cuxá
A cozinha local mistura herança indígena, africana e portuguesa. Os restaurantes do centro histórico e da Casa das Tulhas servem pratos que pedem suco de juçara para acompanhar.
- Arroz de cuxá: prato símbolo do Maranhão, com vinagreira, gergelim, gengibre e camarão seco.
- Peixe na brasa: pescados da costa servidos inteiros, com farofa de banana e vinagrete.
- Caranguejo: cozido na panela de barro, é tradição nas mesas dos restaurantes da Praia Grande.
- Suco de juçara: fruto parente do açaí, batido com farinha de mandioca e açúcar.
- Torta de camarão: receita tradicional servida em casas como o Cafofinho da Tia Dica.
Quando o clima da capital maranhense favorece a viagem?
O calor é constante o ano inteiro, com temperaturas entre 23°C e 32°C. A diferença está nas chuvas: o primeiro semestre concentra os maiores volumes do Brasil equatorial, e o segundo semestre garante céu aberto e festas no centro histórico.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Ilha do Amor pelo aeroporto Cunha Machado?
A capital tem voos diretos para sete cidades do Brasil, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, Belém e Teresina, operados pelas três principais companhias aéreas. O Aeroporto Marechal Cunha Machado fica a cerca de 13 km do centro histórico, com táxi e Uber disponíveis. Quem chega de carro vem pela BR-135 ou pela BR-222, com travessia da ponte que liga a ilha ao continente.
Pise nos azulejos da Cidade dos Azulejos
São Luís é dessas capitais que escapam do óbvio brasileiro. A combinação de origem francesa, casarões portugueses, festa junina maranhense e radiolas de reggae compõe uma identidade que não se encontra em outro ponto do litoral.
Você precisa caminhar pelas Ruas Portugal e da Estrela e perceber que cada azulejo conta um pedaço de história que o Brasil quase esqueceu.