Embaixada americana sinalizou disposição para cooperar com o novo governo; ex-presidente foi levado ao Ministério Público para prestar depoimento sobre suspeitas envolvendo o Ueno Bank
Os Estados Unidos manifestaram apoio a Pedro Alliana após o impeachment de Santiago Peña no Paraguai. Em comunicado divulgado neste sábado (7), a embaixada americana afirmou que pretende manter a parceria entre os dois países e trabalhar com a nova administração.
O secretário assistente de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Juan Pablo Segura, classificou o Paraguai como parceiro estratégico e declarou estar “ansioso para colaborar com o presidente Alliana e seu governo para promover os interesses tanto do povo americano quanto do paraguaio”.
Na sexta-feira (6), antes da destituição de Peña, a representação diplomática dos Estados Unidos havia pedido respeito às instituições democráticas e à manutenção da paz no país.
“Encorajamos, como amigo e aliado do Paraguai, que as autoridades e o povo paraguaio mantenham a paz e respeitem suas instituições democráticas”, afirmou a embaixada.
Ex-presidente presta depoimento ao Ministério Público
Após ser destituído pelo Senado em meio às investigações relacionadas ao Ueno Bank, Santiago Peña deixou neste sábado uma unidade militar em Assunção e foi conduzido ao Ministério Público para prestar depoimento.
O ex-presidente havia sido detido na noite de sexta-feira, em sua residência, e levado a um regimento militar após protestos em frente ao imóvel.
Investigação envolve o Ueno Bank
A Justiça investiga Peña por suspeitas de lesão à confiança, tráfico de influência e administração em proveito próprio.
O ex-presidente é acusado de favorecer o Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, e de interferir na fiscalização realizada pelo Banco Central. A instituição administrava quase R$ 4,5 bilhões em recursos públicos, incluindo valores destinados à Previdência.
Peña também havia sido investidor da holding responsável pelo controle do banco. Em 2023, nomeou Carlos Carvallo Spalding, então presidente-executivo da companhia, para comandar o Banco Central. Carvallo renunciou ao cargo nesta semana.