Mudança na jornada exigirá reorganização de portarias, limpeza e zeladoria; condomínios avaliam alternativas para evitar novas contratações e conter despesas
O fim da escala 6×1 pode provocar aumento de até 15% nas taxas condominiais, segundo estimativas do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP). A redução da jornada de trabalho exigirá que síndicos e administradoras reorganizem os turnos de porteiros, zeladores e profissionais da limpeza. Para evitar a contratação de novos funcionários e controlar os gastos, alguns edifícios já avaliam reduzir a frequência de determinados serviços.
De acordo com o cronograma apresentado, as mudanças começam em 15 de dezembro, quando o limite semanal de trabalho passará de 44 para 42 horas. A partir de dezembro de 2027, a jornada máxima será reduzida para 40 horas, sem diminuição salarial. As regras foram estabelecidas pela Emenda Constitucional 141, promulgada pelo Congresso Nacional em 16 de outubro.
O impacto tende a ser maior nos condomínios que mantêm portaria 24 horas. Como precisam garantir atendimento ininterrupto durante toda a semana, esses edifícios terão de encontrar alternativas para assegurar as duas folgas semanais dos funcionários. Já atividades como limpeza e manutenção permitem maior flexibilidade na distribuição dos horários.
Portaria 24 horas concentra os desafios
A mão de obra representa entre 55% e 70% das despesas mensais dos condomínios, segundo dados da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (Aabic) e da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi).
O peso dos salários e encargos no orçamento explica a preocupação do setor com possíveis aumentos nas taxas pagas pelos moradores.
Na portaria com funcionamento contínuo, o desafio é ainda maior. Um condomínio que oferece atendimento 24 horas precisa cobrir 168 horas por semana. Com a redução da jornada individual, será necessário redistribuir os turnos, contratar profissionais para cobrir as folgas ou estudar outros modelos de atendimento.
Nos edifícios sem portaria ininterrupta, a adaptação pode ser mais simples. A administração poderá concentrar determinadas atividades em menos dias da semana, respeitando as exigências legais e as necessidades dos moradores.
Contratações e horas extras podem aumentar os custos
Um levantamento da Confederação Nacional de Serviços (CNS) calculou os impactos de duas alternativas para adaptar as equipes à jornada de 40 horas semanais. A necessidade de ampliar o quadro de funcionários ou recorrer a horas extras está entre os fatores que podem pressionar as despesas dos condomínios.
Diante desse cenário, administradoras e síndicos terão de avaliar a estrutura de cada edifício e definir como manter os serviços essenciais sem comprometer o orçamento.
