Revista britânica manifesta preocupação com o aumento dos gastos públicos, o crescimento da dívida e a reação dos investidores; publicação defende medidas de ajuste fiscal e maior controle das despesas
A revista britânica The Economist publicou uma análise sobre os desafios econômicos do Brasil após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. O texto destaca preocupações com a trajetória das contas públicas, o crescimento da dívida e a confiança dos investidores na condução da política econômica do próximo mandato.
Segundo a publicação, Lula conseguiu uma virada eleitoral ao superar Flávio Bolsonaro por uma margem próxima de quatro pontos percentuais no segundo turno, realizado em 25 de outubro. A revista afirma, porém, que a vitória foi acompanhada por apreensão no mercado financeiro, diante do receio de expansão dos gastos públicos e de dificuldades para retomar o crescimento econômico.
A análise atribui a reação dos investidores à desconfiança em relação à política fiscal do governo e às perspectivas para a economia brasileira. O texto também menciona a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil e sua ida aos Estados Unidos, após uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionada à retenção de seus passaportes.
Gastos públicos e crescimento da dívida
A The Economist avalia que o principal desafio do país está na condução das contas públicas. A revista argumenta que o histórico de expansão das despesas governamentais contribuiu para manter os juros em patamares elevados e comprometer uma parcela expressiva do PIB com o pagamento da dívida.
O texto também destaca que a disponibilidade de recursos naturais, como petróleo, minerais e produtos do agronegócio, não foi suficiente para garantir um crescimento econômico mais consistente ao longo das últimas décadas.
Entre os indicadores citados pela publicação estão:
- Déficit público: o texto aponta que o déficit orçamentário supera 9% do PIB.
- Dívida pública: a revista menciona estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI) de que a dívida poderá alcançar 97% do PIB neste ano, ante 84% em 2022.
- Novas despesas: segundo a análise, as promessas de programas sociais poderiam representar custos equivalentes a cerca de 2% do PIB até o fim de 2027.
A publicação também critica a ausência de compromissos mais claros com o equilíbrio fiscal e alerta para os possíveis efeitos de novas despesas sobre a trajetória da dívida.
Medidas de ajuste e mudanças na equipe econômica
Na avaliação da revista, Lula precisaria adotar medidas de controle dos gastos para reduzir os riscos fiscais. Entre as propostas mencionadas estão a escolha de um ministro da Fazenda com credibilidade junto ao setor produtivo, a aprovação de regras mais rigorosas para limitar despesas e a revisão de benefícios tributários concedidos a determinados setores.
A publicação também defende a contenção de reajustes de aposentadorias e remunerações de militares e servidores públicos que, segundo sua análise, avançam acima da inflação.
Indicações para o STF e concentração de poder
Outro ponto abordado pela The Economist é o conjunto de nomeações que caberá ao presidente durante o novo mandato. A revista chama atenção para a possibilidade de Lula indicar novos integrantes do Banco Central e quatro ministros do Supremo Tribunal Federal ao longo do período.
O texto apresenta críticas à atuação do STF e menciona questionamentos sobre a politização da Corte e alegações de corrupção. Essas avaliações são atribuídas à publicação britânica.
Ao concluir, a revista alerta que a manutenção de uma política de expansão dos gastos, sem medidas para conter o endividamento, poderá ampliar os desequilíbrios fiscais e comprometer o desempenho econômico do país. A análise defende que o resultado eleitoral não seja interpretado pelo governo como autorização para abandonar medidas de responsabilidade fiscal.
