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PF aponta que grupo ligado a Vorcaro falsificava ofícios para derrubar perfis nas redes sociais

Por Junior Melo
12/set/2026
Em Geral
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A Polícia Federal identificou um esquema que teria utilizado documentos falsos e sistemas destinados a autoridades públicas para tentar retirar do ar perfis considerados inconvenientes por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

As informações aparecem em relatórios da investigação que tiveram o sigilo parcialmente retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após decisão do presidente da Corte, Edson Fachin.

Segundo a PF, pessoas ligadas a Vorcaro teriam recorrido de forma indevida a estruturas estatais para dar aparência oficial a pedidos de remoção de conteúdos e perfis nas redes sociais.

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Sistemas de autoridades teriam sido usados

Entre os mecanismos utilizados estavam os portais de Law Enforcement Information Request, ferramentas criadas para que autoridades encaminhem solicitações formais a empresas de tecnologia.

De acordo com os investigadores, o grupo teria utilizado esses sistemas para apresentar pedidos que aparentavam partir de órgãos públicos. A PF também encontrou ofícios supostamente assinados por servidores públicos, embora não correspondessem a solicitações oficiais.

Para a corporação, a estratégia buscava conferir legitimidade institucional às ordens encaminhadas às plataformas.

Documento falso foi enviado à Meta

Um dos casos identificados pela investigação envolve um ofício encaminhado à Meta, responsável por plataformas como Facebook e Instagram.

Segundo a PF, o documento teria sido falsamente atribuído ao Grupo Especial de Combate à Corrupção do Ministério Público do Ceará (MP-CE). O objetivo seria conseguir a remoção de um perfil que Vorcaro considerava falso e que, segundo ele, estaria relacionado à sua então namorada, Martha Graeff.

Em outubro de 2024, mensagens atribuídas ao empresário mostram cobranças para que a conta fosse retirada do ar. As solicitações continuaram nos dias seguintes.

Na mesma data, Luiz Phillipe Machado Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado pela PF como integrante do grupo ligado a Vorcaro, informou que havia reforçado o pedido de remoção.

Pouco depois, Mourão comunicou que a conta havia sido banida pela Meta. Para os investigadores, o episódio indica que as solicitações irregulares teriam produzido efeito junto à plataforma.

E-mail de servidora foi utilizado

A PF também identificou o uso do endereço de e-mail institucional de uma funcionária do Ministério Público do Ceará para acessar os sistemas destinados a solicitações de autoridades.

Os investigadores, porém, não afirmam que a servidora tenha participado conscientemente do esquema. O relatório aponta que ainda não era possível determinar se ela tinha conhecimento da utilização de suas credenciais ou se o acesso ocorreu de maneira indevida por terceiros.

Para a Polícia Federal, o uso do endereço institucional foi suficiente para conferir uma “aparência de legitimidade funcional” aos pedidos encaminhados às plataformas.

PF aponta risco para sistemas oficiais

Na avaliação dos investigadores, a prática não teria apenas o objetivo de remover perfis específicos, mas também representaria uma ameaça à segurança e à confiabilidade de mecanismos criados para atender demandas legítimas de autoridades.

A PF afirma que o uso irregular dessas estruturas pode comprometer sistemas empregados em investigações reais, além de criar riscos relacionados à proteção de dados e à segurança da informação.

As conclusões fazem parte da investigação sobre a atuação de pessoas ligadas a Daniel Vorcaro e ainda dependem do avanço das apurações para eventual responsabilização dos envolvidos.

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