Documentos apreendidos pela Polícia Federal na investigação sobre o Banco Master apontam que os envolvidos teriam utilizado uma linguagem codificada durante tratativas relacionadas à compra de um apartamento para o senador Jaques Wagner (PT-BA).
Em uma das conversas analisadas pelos investigadores, Daniel Lopes Monteiro, apontado pela PF como operador jurídico e financeiro ligado ao banco, enviou uma mensagem a Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como “Tio Guiga” e identificado como pessoa próxima ao senador.
A mensagem dizia: “A altura do vão é 2,45m”. Sodré respondeu: “Perfeito”.
Para a Polícia Federal, a expressão pode ter sido utilizada para dificultar a compreensão da negociação. A investigação relaciona o número mencionado na conversa ao valor de R$ 2,45 milhões, correspondente a um apartamento no empreendimento Poemè Horto, da Moura Dubeux, no Horto Florestal, em Salvador.
Conversas com ex-sócio de Vorcaro
A PF também relacionou a negociação a mensagens trocadas entre Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima, proprietário do Banco Pleno e ex-sócio de Daniel Vorcaro.
Em novembro de 2024, Wagner teria enviado a Augusto o contato de um gerente da Moura Dubeux em Salvador. Na sequência, foram compartilhadas informações sobre um imóvel cujo valor coincidia com os R$ 2,45 milhõesidentificados na conversa entre os intermediários.
Segundo os investigadores, Monteiro e Guilherme Sodré mantinham contatos frequentes por videoconferências e encontros presenciais. A PF avalia que a forma de comunicação poderia ter sido utilizada para dificultar a identificação do conteúdo das tratativas.
O material integra o relatório divulgado após a retirada do sigilo dos documentos relacionados ao caso Banco Master.
Negociação teria continuado após prisão de Vorcaro
A investigação aponta ainda que as tratativas envolvendo o imóvel continuaram mesmo após a prisão de Daniel Vorcaro, em novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.
De acordo com a PF, as negociações teriam prosseguido por meio de alterações contratuais que, na avaliação dos investigadores, poderiam dificultar a identificação do negócio.
A corporação afirma que Jaques Wagner teria solicitado o apartamento a Augusto Ferreira Lima como uma “vantagem indevida”. A acusação, contudo, faz parte da linha investigativa da PF e não representa, por si só, uma condenação ou conclusão judicial sobre a conduta do senador.
Minuta e detalhes do apartamento
Em fevereiro de 2026, intermediários envolvidos na negociação trocaram mensagens contendo uma minuta do contrato de compra do apartamento. Também foram discutidos detalhes relacionados ao acabamento do imóvel.
Segundo o relatório, uma das alterações solicitadas acrescentaria aproximadamente R$ 20 mil ao preço inicialmente previsto.
A PF afirma que as tratativas foram retomadas poucos dias após a deflagração da Operação Compliance Zero, com contatos entre pessoas ligadas a Augusto Ferreira Lima e diretores do Banco Master.
Em 25 de novembro de 2025, a negociação teria continuado, mas com maior cautela na forma de comunicação utilizada pelos envolvidos, segundo a análise dos investigadores.
