O varejo brasileiro atravessa um dos momentos mais delicados dos últimos anos. A chegada de 2026 foi marcada por um volume recorde de pedidos de recuperação judicial e por grandes empresas em busca de acordos para renegociar dívidas.
Para o empresário Luciano Hang, fundador da Havan, o cenário não pode ser atribuído exclusivamente aos juros elevados ou à perda de força do consumo. Na avaliação dele, a concorrência com produtos importados, principalmente vindos da China, também exerce forte pressão sobre o comércio nacional.
Hang critica tributação sobre compras internacionais
Um dos principais alvos das críticas do empresário é o modelo de tributação aplicado às compras internacionais de baixo valor, popularmente conhecido como “taxa das blusinhas”.
Segundo Hang, a diferença na carga tributária cria uma desvantagem para empresas brasileiras que precisam arcar com custos maiores para manter suas operações, empregar funcionários e comercializar produtos no país.
Na visão do fundador da Havan, a entrada de mercadorias estrangeiras em condições tributárias consideradas mais favoráveis pode comprometer a competitividade da indústria e do varejo nacionais.
Disputa considerada desigual
Hang sustenta que o problema vai além da concorrência entre marcas. Para ele, quando produtos importados chegam ao consumidor com uma estrutura de custos diferente daquela enfrentada pelas empresas brasileiras, o resultado é uma disputa considerada desequilibrada.
O empresário defende que o país reveja as regras para evitar que o varejo nacional perca espaço para produtos estrangeiros e alerta para os impactos sobre empresas que já enfrentam um ambiente de crédito caro e demanda mais fraca.
O diagnóstico apresentado por Hang é direto: sem mudanças no ambiente de negócios e nas condições de concorrência, a pressão sobre o varejo pode aumentar ainda mais ao longo de 2026.