O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira (22) que a China deixou claro que não apoia a cobrança de pedágios para a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo.
A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa após a reunião de chanceleres da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), realizada em Manila, nas Filipinas. Segundo Rubio, Pequim também tem sido “cooperativa em alguns casos” na questão envolvendo o Irã, embora não tenha detalhado como essa colaboração ocorreu.
O secretário americano voltou a afirmar que os Estados Unidos consideram “intolerável” a possibilidade de o Irã desenvolver armas nucleares e garantiu que Washington continuará realizando ações contra alvos ligados a ataques a embarcações, além de trabalhar para reduzir a capacidade iraniana de ameaçar o transporte marítimo internacional.
Rubio também informou que o governo americano está em diálogo com outros países para reforçar a proteção de navios que cruzam a região do Golfo Pérsico, considerada essencial para o comércio global de petróleo.
Mais cedo, antes do encontro da Asean, o secretário alertou que permitir que um país controle uma hidrovia internacional e cobre pedágios criaria “um precedente muito perigoso”, que poderia ser repetido em outras partes do mundo. O presidente Donald Trump chegou a anunciar a intenção de cobrar taxas pela passagem no Estreito de Ormuz, mas posteriormente desistiu da medida.
Em relação às relações entre Washington e Pequim, Rubio informou que discutiu com o chanceler chinês, Wang Yi, a visita do presidente Xi Jinping aos Estados Unidos, prevista para setembro. Apesar das divergências entre os dois países, o secretário destacou que a relação bilateral continua sendo “essencial” e afirmou que ambos identificaram áreas em que é possível ampliar a cooperação.
Rubio acrescentou que não abordou com Wang Yi o tema da interferência eleitoral, assunto que havia sido destaque em um recente pronunciamento do presidente Trump.
Sobre a guerra na Ucrânia, o secretário confirmou que deverá se reunir com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, para discutir o conflito. Ele afirmou que os Estados Unidos são “o único país” com capacidade de mediar o fim da guerra e defendeu que qualquer futuro acordo de controle de armas nucleares deverá contar com a participação conjunta de Estados Unidos, Rússia e China.