O cheiro de vinagreira refogada e o grave das radiolas de reggae recebem quem pisa nas pedras do centro histórico de c. Fundada em 1612 por franceses e apelidada “Atenas Brasileira“, a cidade era casa de pessoas que sonhavam erguer a França Equinocial, a capital do Maranhão passou por mãos holandesas e portuguesas antes de se tornar um dos acervos coloniais mais preservados da América Latina, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 1997.
Da França Equinocial à Atenas Brasileira
Daniel de La Touche desembarcou na ilha de Upaon-Açu com cerca de 500 colonos e ergueu o Forte de Saint-Louis em homenagem ao rei Luís XIII. Três anos depois, tropas portuguesas lideradas por Jerônimo de Albuquerque retomaram o território. A cidade ainda seria ocupada por holandeses entre 1641 e 1644, o que faz de São Luís a única capital do país que passou por três colonizações europeias.
Nos séculos XVIII e XIX, a exportação de algodão e arroz transformou a cidade na quarta mais próspera do Brasil imperial. A riqueza financiou sobrados imponentes, revestidos com azulejos portugueses que até hoje cobrem fachadas inteiras no centro. O período também atraiu poetas e escritores, o que rendeu à capital o apelido de Atenas Brasileira.
O que visitar no maior acervo de azulejos das Américas?
O centro histórico reúne cerca de 4 mil imóveis tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Becos, escadarias e largos revelam construções dos séculos XVII ao XIX, muitas delas restauradas e abertas à visitação.
- Palácio dos Leões: sede do governo estadual desde o período colonial, mantém decoração com itens franceses dos séculos XVIII e XIX e vista para a Baía de São Marcos.
- Teatro Artur Azevedo: inaugurado em 1817, é o segundo teatro mais antigo em funcionamento no Brasil.
- Casa das Tulhas: mercado histórico onde se encontram especiarias, vinagreira, camarão seco e artesanato maranhense.
- Convento das Mercês: inaugurado em 1654 pelo padre Antônio Vieira, abriga hoje a Fundação da Memória Republicana.
- Praias da Avenida Litorânea: São Marcos, Calhau e Olho d’Água oferecem faixa de areia extensa, quiosques e pôr do sol sobre o mar.
São Luís é uma explosão de ritmos, cores e histórias, revelando-se um destino que vai muito além de ser apenas o portal para os Lençóis Maranhenses. O vídeo é do canal Rolê Família, que conta com mais de 34 mil inscritos, e apresenta um documentário completo sobre a capital, destacando seu Centro Histórico com azulejos portugueses, a vibrante cultura do reggae e a magia única do São João do Maranhão:
Quando o Bumba-meu-boi toma conta das ruas?
Entre junho e julho, São Luís vive o ciclo do Bumba-meu-boi, manifestação que mistura teatro, dança, música e fé. O ritual celebra a morte e a ressurreição de um boi e se divide em sotaques regionais, cada um com instrumentos, figurinos e coreografias próprios. Em 2019, o Complexo Cultural do Bumba-meu-boi foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
A cidade também é chamada de Jamaica Brasileira pela força do reggae. Radiolas gigantes animam bailes onde se dança agarradinho, um estilo que só existe no Maranhão. Clubes e bares espalhados por bairros como Madre Deus e Liberdade mantêm a tradição viva o ano inteiro.
Que sabores a mesa maranhense reserva?
A gastronomia de São Luís nasce do encontro entre ingredientes indígenas, temperos africanos e técnicas portuguesas. A vinagreira, folha ácida trazida da África, é a base do prato mais emblemático do estado.
- Arroz de cuxá: arroz misturado ao molho de vinagreira, camarão seco e gergelim torrado. Acompanha peixes e frutos do mar em praticamente toda mesa maranhense.
- Torta de camarão: massa leve à base de ovos, recheada com camarão fresco ou caranguejo, servida em fatias generosas.
- Peixada maranhense: pescada amarela cozida em leite de coco com batata, ovos e temperos regionais.
- Juçara com camarão seco: versão local do açaí, mais encorpada, servida em prato fundo com farinha e camarão por cima.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
São Luís fica a dois graus da linha do Equador, com calor constante. As chuvas se concentram entre janeiro e junho, e o período seco vai de julho a dezembro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à ilha de Upaon-Açu?
O Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado recebe voos diretos das principais capitais do país. De lá, táxi e aplicativos levam ao centro histórico em cerca de 20 minutos. São Luís também é ponto de partida para os Lençóis Maranhenses, acessíveis de carro ou van até Barreirinhas, a 260 km pela MA-402. Do Cais da Praia Grande, catamarãs cruzam a Baía de São Marcos até a cidade histórica de Alcântara em aproximadamente 1h15.
Deixe o reggae guiar seus passos pela ilha
São Luís é o raro destino onde se caminha por ruas de azulejo português ouvindo reggae no alto-falante. A capital maranhense reúne três colonizações, dois títulos da UNESCO e uma mesa que transforma vinagreira e camarão seco em identidade.
Você precisa pisar nas pedras do centro histórico, provar o arroz de cuxá e sentir a batida grave das radiolas para entender por que a ilha de Upaon-Açu conquistou o apelido de Jamaica Brasileira.