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Início Geral

Fundada por franceses no Nordeste, a cidade reúne o maior acervo de azulejos da América Latina e um centro histórico impressionante

Por Maura Pereira
26/fev/2026
Em Geral
No Nordeste, a única cidade brasileira fundada por franceses guarda o maior acervo de azulejos da América Latina

Viver em São Luís oferece uma imersão constante em um cenário que mistura a grandiosidade dos casarões coloniais com a modernidade dos bairros novos. / Imagem Ilustrativa

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O reflexo do sol nos azulejos portugueses ilumina as ladeiras de pedra enquanto o grave de uma radiola de reggae escapa por uma janela colonial. São Luís, capital do Maranhão, é a única capital brasileira cuja fundação é atribuída a franceses, e talvez a única no mundo onde um casarão do século XVIII convive com o som da Jamaica sem nenhum estranhamento.

Franceses, holandeses e portugueses: como três impérios moldaram a mesma cidade?

Em 8 de setembro de 1612, Daniel de La Touche e cerca de 500 homens ergueram o Forte Saint-Louis em homenagem ao rei Luís XIII. O plano era ambicioso: criar a França Equinocial, uma colônia permanente nos trópicos. A presença francesa durou apenas três anos. Em 1615, tropas portuguesas retomaram o território na Batalha de Guaxenduba.

Sob domínio holandês entre 1641 e 1644, a cidade voltou a mãos portuguesas e viveu seu apogeu nos séculos XVIII e XIX como o quarto centro exportador do Brasil, atrás de Salvador, Recife e Rio de Janeiro. A riqueza do algodão e do arroz ergueu os sobradões que resistem até hoje, conforme registra o IPHAN.

No Nordeste, a única cidade brasileira fundada por franceses guarda o maior acervo de azulejos da América Latina
O encanto colonial de São Luís (MA), onde azulejos portugueses e o mar inspiram sonhos de aventura eterna. // Créditos: Wikipédia

Por que os azulejos cobrem as fachadas e não apenas decoram?

São Luís guarda um dos maiores acervos de azulejaria histórica do país. Segundo o Catálogo dos Azulejos de São Luís, publicado em 2004, são 423 imóveis com peças importadas de Portugal, Inglaterra, França, Bélgica e Alemanha, datadas dos séculos XVIII e XIX. As peças não são apenas decorativas: refletem os raios solares e absorvem menos calor, amenizando a temperatura no clima equatorial da ilha.

Em 1997, a UNESCO reconheceu o centro histórico como Patrimônio Mundial. A área de 220 hectares reúne cerca de 4 mil imóveis tombados, entre sobrados com mirantes, igrejas e palácios. O traçado das ruas preserva o desenho original de 1615, projetado pelo engenheiro português Francisco Frias de Mesquita.

Explore a alma lodovicense entre azulejos portugueses e ritmos caribenhos. O vídeo é do canal Mala de Aventuras, que conta com mais de 70 mil inscritos, e detalha um roteiro de dois dias pelo centro histórico, praias e as curiosas fronhas maranhenses:

O que visitar no centro histórico e além das ladeiras?

A capital maranhense concentra atrações culturais em um perímetro compacto que se percorre a pé. Fora do centro, praias e mirantes completam o roteiro.

  • Rua Portugal: principal corredor de sobrados azulejados, com o Museu de Artes Visuais e a Casa do Maranhão, dedicada ao Bumba-meu-boi.
  • Palácio dos Leões: sede do governo estadual desde 1766, com vista da Baía de São Marcos e acervo de arte e mobiliário colonial.
  • Teatro Arthur Azevedo: inaugurado em 1817, um dos mais antigos em funcionamento no Brasil.
  • Museu da Gastronomia: espaço interativo que apresenta ingredientes, receitas e tradições da cozinha maranhense, com visita guiada gratuita.
  • Museu do Reggae: único dedicado ao gênero fora da Jamaica, instalado em casarão restaurado no centro histórico.
  • Espigão da Ponta d’Areia: mirante para o pôr do sol sobre a baía, ponto de encontro de moradores e visitantes.
A “Atenas Brasileira” fundada em 1612 por franceses chama a atenção pela beleza colonial sem perder a modernidade
São Luís (MA) prepara festa da virada 2025 com alterações no trânsito da Litorânea para celebrar o Ano Novo. // Créditos: Wikipédia

Reggae agarradinho e Bumba-meu-boi: a ilha que dança em dois ritmos

O reggae chegou ao Maranhão na década de 1970, possivelmente por ondas curtas de rádios caribenhas captadas no litoral. O ritmo encontrou terreno fértil na periferia de São Luís e ganhou identidade própria: aqui se dança a dois, colado, no estilo que os ludovicenses chamam de “agarradinho”. A cidade abriga mais de 200 radiolas e, desde 2023, carrega o título de Capital Nacional do Reggae.

O outro pulso da ilha é o Bumba-meu-boi, reconhecido pela UNESCO em 2019 como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A festa acontece com força nos meses de junho e julho e se divide em cinco sotaques: matraca, zabumba, costa-de-mão, baixada e orquestra. Cada grupo tem coreografia, instrumentos e bordados próprios. O Tambor de Crioula, dança de matriz africana em que as mulheres se revezam na roda com a “punga” (toque de barriga), é Patrimônio Imaterial nacional desde 2007.

Qual o sabor da cozinha maranhense que não se encontra em outro estado?

A gastronomia de São Luís mistura heranças indígenas, africanas e portuguesas com ingredientes que só existem na região. A Secretaria de Turismo do Maranhão destaca o cardápio de frutos do mar e frutas amazônicas.

  • Arroz de cuxá: prato símbolo, feito com vinagreira (folha do hibiscus sabdariffa, trazida por africanos), camarão seco e gergelim.
  • Torta de camarão: receita junina com ovos, batata e recheio farto de camarão ou caranguejo.
  • Peixada maranhense: pescada cozida com leite de coco, batatas e ovos, servida com pirão.
  • Creme de bacuri: sobremesa feita com a polpa branca do bacuri, fruta amazônica de sabor único.
  • Guaraná Jesus: refrigerante cor-de-rosa exclusivo do Maranhão, com aroma de cravo e canela.
Em São Luís (MA), passeie pelo centro histórico colorido e relaxe nas praias quentes, puro prazer maranhense! // Créditos: Wikipédia

Quando visitar São Luís e aproveitar cada estação?

O clima é tropical úmido, com duas estações bem definidas. A temperatura varia pouco ao longo do ano, mas a chuva muda completamente a experiência.

CHUVOSO
Janeiro – Junho
23°C a 32°C
🥁 FESTA E TRADIÇÃO
Com chuva alta, a cidade ganha alma. O ápice ocorre em junho e julho, com o Bumba-meu-boi e as festas juninas que colorem as ladeiras históricas.
SECO
Julho – Dezembro
24°C a 33°C
🌊 SOL E VENTOS
A chuva baixa garante dias de sol firme. É o momento perfeito para caminhar pelo Centro Histórico, relaxar nas praias ou se aventurar no kitesurf.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à ilha e se deslocar pela capital?

O Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado fica a 15 km do centro histórico e recebe voos diretos de São Paulo, Brasília, Recife e Belém. São Luís também é ponto de partida para os Lençóis Maranhenses, a cerca de 250 km por estrada asfaltada até Barreirinhas. Dentro da cidade, o centro histórico se percorre a pé. Para as praias da Avenida Litorânea e do Calhau, táxi ou aplicativo resolvem em menos de 20 minutos.

Sinta o azulejo e o tambor na mesma ladeira

São Luís é rara porque carrega três reconhecimentos da UNESCO ao mesmo tempo: o centro histórico como Patrimônio Mundial, o Bumba-meu-boi como Patrimônio Imaterial da Humanidade e o título de Capital Nacional do Reggae como identidade viva. Tudo isso cabe em uma ilha onde o azulejo português divide a parede com o rosto pintado de Bob Marley.

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Você precisa subir as ladeiras da Praia Grande ao som de uma radiola e provar o arroz de cuxá em um casarão de 200 anos para entender por que São Luís se chama Ilha do Amor.

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