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Início Justiça

Fux recua e cancela presença em congresso que terá advogado de Daniel Vorcaro

Por Felipe Dantas
16/fev/2026
Em Justiça
Fux recua e cancela presença em congresso que terá advogado de Daniel Vorcaro

Luiz Fux - Foto: Gil Ferreira/Agência CNJ

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A decisão do ministro Luiz Fux de cancelar a participação no 2º Congresso Ibero-Brasileiro de Governança Global, em Salamanca (que acontecerá entre 23 e 25 de fevereiro), reforçou a atenção sobre a relação entre magistrados, eventos jurídicos internacionais e investigações sensíveis em curso envolvendo o Banco Master.

Por que a presença de advogados de Daniel Vorcaro impactou o congresso?

A controvérsia está na participação de integrantes de uma banca de advocacia ligada a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Uma das mesas do congresso será presidida pelo advogado Igor Tamasauskas, sócio do escritório Bottini & Tamasauskas Advogados, que atua diretamente na defesa de Vorcaro.

A coincidência de um evento acadêmico com a presença de ministros e de defensores de um investigado em inquérito no STF gerou preocupação sobre a percepção pública. Em um cenário de intensa cobertura midiática, encontros institucionais passam a ser analisados com mais rigor, mesmo sem impedimento formal para a participação.

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Como as decisões de Fux e Mendonça afetam a imagem do STF?

O movimento de Fux se soma ao do ministro André Mendonça, que também retirou o nome do congresso alegando prudência após ser sorteado como novo relator do inquérito sobre o Banco Master. A decisão de ambos busca evitar dúvidas sobre imparcialidade e interpretações de conflito de interesses.

O congresso reuniria ainda ministros aposentados do STF, como Ricardo Lewandowski e Luís Roberto Barroso, além de ministros do STJ e de outros tribunais superiores. Em meio a apurações sensíveis envolvendo o setor financeiro, a Corte procura preservar sua imagem institucional e reduzir ruídos em torno da atuação de seus integrantes.

Quais fatores tornam o congresso de Salamanca um evento sensível?

O congresso, voltado ao debate sobre governança global, passou a ser visto como um ponto de convergência entre academia, Judiciário e advocacia de alto perfil. A participação de advogados ligados a investigados em apurações relevantes aumenta o escrutínio sobre qualquer aproximação, ainda que meramente acadêmica.

Para especialistas em transparência e integridade pública, a opção de ministros por não comparecer é interpretada como medida preventiva. Embora não tenham sido apontados elementos jurídicos formais de suspeição, a presença conjunta de julgadores e defensores poderia alimentar narrativas de questionamento à lisura do processo.

Como evoluiu o inquérito sobre o Banco Master no STF?

O inquérito que apura eventuais fraudes e irregularidades envolvendo o Banco Master sofreu mudança relevante em janeiro de 2026, quando o ministro André Mendonça foi sorteado como novo relator. Até então, o caso estava com o ministro Dias Toffoli, que atuava desde novembro de 2025 e havia determinado diligências iniciais e quebras de sigilo sob supervisão do STF.

A redistribuição ocorreu após reunião convocada pelo presidente do STF, Edson Fachin, para tratar de relatório da Polícia Federal que mencionava Toffoli em mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro. Embora a Corte não tenha identificado impedimento formal, o próprio ministro pediu para deixar a relatoria, e todos os atos praticados por ele foram mantidos válidos para preservar a continuidade da investigação.

Quais impactos esse episódio pode ter para o STF e para o caso Master?

A soma de redistribuição do inquérito, relatório da PF, menções a um ministro do STF e cancelamento da participação de magistrados em congresso com advogados ligados ao investigado coloca o Supremo sob forte escrutínio. Para responder a esse ambiente, o tribunal vem reforçando práticas de independência, legalidade e respeito ao devido processo legal.

Nesse contexto, observadores apontam possíveis efeitos institucionais relevantes, que ajudam a balizar a atuação futura da Corte em casos com grande exposição pública e participação de atores do mercado financeiro.

  • Reforço de critérios de prudência na participação de ministros em eventos com presença de partes ou advogados de processos em andamento.
  • Maior atenção à transparência e publicidade das agendas públicas, acadêmicas e internacionais de integrantes dos tribunais superiores.
  • Consolidação da mensagem de que mudanças de relatoria não anulam investigações, garantindo estabilidade jurídica e continuidade das provas.
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