O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma recompensa de US$ 1 milhão, equivalente a cerca de R$ 5,4 milhões, por informações sobre fraudes eleitorais que resultem na prisão e condenação dos responsáveis. A declaração foi publicada nesta segunda-feira (26), a uma semana das eleições legislativas de meio de mandato, que definirão o controle do Congresso americano.
Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que a recompensa será destinada a quem denunciar irregularidades em eleições anteriores ou nas eleições de meio de mandato de 2026.
“Qualquer pessoa que denunciar uma fraude eleitoral em eleições anteriores ou nas próximas eleições de meio de mandato de 2026 receberá US$ 1 milhão após a prisão e a condenação dos responsáveis pela fraude!”, escreveu o presidente.
O anúncio ocorre em meio à intensificação das iniciativas do governo Trump para ampliar a fiscalização dos processos eleitorais. A administração tem pressionado estados a fornecer dados de registro de eleitores, sob o argumento de que medidas mais rigorosas são necessárias para proteger a integridade das eleições. Trump também defende ações para impedir que imigrantes sem documentação votem, embora casos de votação por não cidadãos sejam considerados raros nos Estados Unidos.
As medidas provocam críticas de especialistas e autoridades eleitorais, que apontam riscos de interferência federal na administração das eleições, cuja organização é em grande parte responsabilidade dos estados. Uma das preocupações envolve o uso de sistemas de verificação de dados que podem identificar incorretamente cidadãos americanos como não cidadãos e levar à retirada indevida de eleitores dos registros.
Segundo a Reuters, autoridades eleitorais estão se preparando para uma possível interferência do governo federal nas eleições de meio de mandato. Trump já divulgou alegações falsas sobre o processo eleitoral americano, incluindo afirmações sem provas de que teria vencido a eleição presidencial de 2020. A recusa em reconhecer a derrota antecedeu a invasão do Capitólio por apoiadores do republicano, em 6 de janeiro de 2021, quando tentaram impedir a certificação do resultado pelo Congresso.
Atualmente, o Partido Republicano possui maioria estreita na Câmara dos Representantes e no Senado. O pleito de meio de mandato é considerado decisivo para a continuidade da agenda legislativa de Trump, em um cenário de baixa popularidade e preocupação dos eleitores com o custo de vida e a alta dos combustíveis, associada no relato à guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Uma pesquisa nacional realizada pelo The New York Times em parceria com a Universidade Siena apontou que 36% dos eleitores com maior probabilidade de votar aprovavam o desempenho de Trump, enquanto 59% desaprovavam sua atuação. Segundo o levantamento citado, esse seria o menor índice de aprovação do presidente registrado pela pesquisa. Mais de dois terços dos eleitores independentes também afirmaram desaprovar sua condução da Presidência.
A oferta de recompensa e as medidas de fiscalização eleitoral devem ampliar o debate sobre segurança das urnas, direito ao voto e limites da atuação do governo federal às vésperas de uma votação que pode alterar o equilíbrio de poder em Washington.
