A França amanheceu neste domingo (18) com veículos incendiados, vitrines quebradas e prédios danificados após uma onda de protestos realizada no sábado (17). As manifestações, motivadas pela insatisfação com o custo de vida e a deterioração dos serviços públicos, terminaram em confrontos entre grupos de manifestantes e policiais, além de saques e incêndios em diferentes cidades.
Segundo as informações divulgadas, um manifestante morreu, centenas de policiais ficaram feridos e quase 1.800 pessoas foram detidas. Embora centenas de milhares de pessoas tenham participado dos atos de forma pacífica, grupos envolvidos em episódios de violência atacaram estabelecimentos comerciais e prédios públicos.
Em Limoges, no centro do país, um incêndio atribuído a manifestantes atingiu a prefeitura, um edifício histórico de 143 anos. Parte da estrutura foi destruída, e o telhado e a torre do sino desabaram enquanto equipes de emergência trabalhavam no local.
Em Paris, carros queimados, vitrines estilhaçadas, caixas eletrônicos danificados e lojas saqueadas foram encontrados, especialmente nas proximidades da Praça da República. Em Marselha, equipes de limpeza retiraram das ruas lixo, destroços e objetos queimados após episódios de vandalismo e saques.
Governo Macron enfrenta pressão política
A escalada da violência aumentou a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron e o governo francês, em meio à preparação para a eleição presidencial prevista para 2027.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que o governo não cederá à violência. Em publicação na rede social X, atribuiu os episódios a grupos da extrema esquerda e a criminosos e declarou que nenhuma força política poderá impor sua agenda por meio de atos violentos.
A declaração ocorre em um momento de ampliação das críticas à condução das políticas públicas e à resposta do governo às reivindicações dos manifestantes.
Movimento começou com reivindicações sociais
A mobilização ganhou força a partir de setembro, inicialmente impulsionada por reclamações relacionadas às condições das escolas e à falta de professores em bairros populares da periferia francesa.
Com o passar das semanas, os protestos passaram a reunir pautas mais amplas, incluindo críticas à desigualdade, aos cortes nos gastos públicos e ao aumento do custo de vida.
Estudantes, trabalhadores e outros grupos participaram das manifestações, expressando dificuldades para pagar despesas básicas, encontrar moradia e acessar serviços públicos.
A combinação de insatisfação social e episódios de violência coloca o governo francês diante de dois desafios: restabelecer a segurança nas cidades e responder às demandas que alimentam os protestos.