A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) classificou como “crítico” o risco de pressão e possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. A avaliação consta de um relatório reservado enviado ao governo federal, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça no fim de agosto.
Segundo o documento, há uma tendência de aumento da pressão americana sobre o Brasil. A Abin relaciona o movimento à estratégia do governo de Donald Trump para ampliar a influência dos Estados Unidos na América Latina e reduzir a presença de potências rivais, especialmente a China.
O relatório cita, entre outros episódios, sanções aplicadas pelos EUA contra brasileiros e empresas suspeitos de vínculos com organizações criminosas. A agência também menciona exigências apresentadas pelo governo Trump durante as negociações comerciais de 2025, incluindo uma proposta relacionada à participação de “dissidentes políticos” nas eleições brasileiras de 2026. O governo brasileiro rejeitou essas exigências.
Apesar do alerta da Abin, integrantes do TSE ouvidos pela imprensa afirmaram que, até o momento, não foram identificados sinais concretos de interferência estrangeira no processo eleitoral.
O tribunal, no entanto, acompanha o cenário e mantém interlocução com a Abin. A agência participa de grupos de trabalho do TSE voltados ao acompanhamento de riscos relacionados às eleições.
O tema ganhou destaque nas últimas semanas diante do aumento das tensões entre Brasília e Washington. Além das questões comerciais e diplomáticas, o governo americano passou a adotar medidas contra brasileiros e empresas ligadas ao crime organizado, enquanto autoridades brasileiras têm defendido a soberania nacional e a não interferência externa no processo eleitoral.