O chefe da força de paz das Nações Unidas no Líbano, major-general italiano Diodato Abagnara, afirmou neste sábado (19) que é fundamental garantir uma transição organizada antes da retirada da missão do país.
Em entrevista à Reuters no sul do Líbano, Abagnara disse que outras agências da ONU e o Exército libanês precisam estar preparados para assumir parte das funções desempenhadas pela Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL).
A missão atua na região há quase 50 anos e teve suas atividades ampliadas diante da intensificação dos confrontos entre Israel e o Hezbollah. Entre as funções recentes está a escolta de comboios de ajuda humanitária destinados a áreas do sul do país.
O Conselho de Segurança da ONU decidiu que a UNIFIL encerrará suas operações em 31 de dezembro de 2026. A partir dessa data, terá início um processo de retirada ordenada e segura, que deverá ser concluído até o fim de 2027.
Abagnara afirmou que a UNIFIL já trabalha com outras estruturas das Nações Unidas e com o Exército libanês para preparar a transferência de responsabilidades. Segundo ele, a operação poderá ser especialmente difícil porque mais da metade dos postos da missão está atualmente em áreas sob controle de forças israelenses.
O comandante também classificou como uma possível dificuldade a continuidade da assistência humanitária após a saída da força de paz. Segundo ele, a presença da ONU no sul do Líbano continua sendo importante para o monitoramento da situação e para o apoio à população.
Enquanto o prazo para a retirada se aproxima, o Líbano defende a extensão do mandato da UNIFIL. Paralelamente, países europeus e árabes discutem alternativas para uma presença internacional na região após o fim da missão.
Abagnara afirmou que uma eventual prorrogação seria bem recebida, mas ressaltou que, sem uma nova decisão do Conselho de Segurança, a missão terá de seguir o cronograma estabelecido.
