Líderes de partidos do centrão já discutem a possibilidade de apoiar Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O movimento ocorre após o senador ganhar espaço nas pesquisas recentes, que passaram a mostrar cenários de empate técnico entre os dois em algumas simulações.
Segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, União Brasil e PP, que integram uma federação partidária, tendem a apoiar Flávio caso ele avance para a segunda etapa. A articulação, porém, deve ganhar força somente após o encerramento da disputa pelo Senado no Piauí, onde o presidente do PP, Ciro Nogueira, busca renovar o mandato.
No primeiro turno, a federação optou pela neutralidade nacional, estratégia influenciada por alianças e disputas regionais. De acordo com a reportagem, uma das preocupações era evitar que Lula fortalecesse sua presença em campanhas locais apoiadas pelo PT.
O Republicanos também aparece entre as legendas que podem se aproximar de Flávio. Segundo a Folha, há expectativa de pressão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. O partido chegou a negociar uma aliança com o senador antes do início da campanha, mas desistiu.
No PSD, Ronaldo Caiado é apontado como um possível apoiador de Flávio, enquanto ainda há incerteza sobre a posição do presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab. Segundo a reportagem, Kassab tende a aguardar o desenrolar da disputa antes de definir uma posição.
Pesquisas influenciam articulações
A mudança nas articulações partidárias ocorre em meio a alterações recentes nos levantamentos eleitorais. Na pesquisa Quaest divulgada em 14 de setembro, Flávio apareceu com 42% das intenções de voto contra 40% de Lula em um cenário de segundo turno. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o resultado configura empate técnico.
Outros levantamentos apresentam resultados diferentes. Na pesquisa CNT/MDA divulgada em 15 de setembro, por exemplo, Lula tinha 47,3% contra 40% de Flávio em uma simulação de segundo turno.
Segundo a reportagem da Folha, a percepção de parte dos dirigentes partidários sobre a capacidade eleitoral de Flávio mudou nas últimas semanas. O apoio em um eventual segundo turno também é visto pelas lideranças como uma oportunidade de participação em um possível governo, caso o candidato avance e seja eleito.
Até o momento, porém, não há definição formal de apoio dessas legendas a Flávio para um eventual segundo turno.