A Polícia Federal revelou detalhes de uma investigação que aponta um repasse de R$ 12,2 bilhões do Banco de Brasília (BRB) ao Banco Master por meio da compra de carteiras de crédito consideradas suspeitas. As informações vieram a público após a retirada do sigilo do caso por decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o relatório, as operações ocorreram entre janeiro e maio de 2025 e teriam como objetivo garantir liquidez ao Banco Master, que enfrentava dificuldades financeiras naquele período.
PF aponta operações com créditos suspeitos
De acordo com a investigação, o Banco Master teria adquirido carteiras de crédito supostamente originadas pela empresa Tirreno, que, segundo a PF, não possuía histórico financeiro compatível com os valores negociados.
Em seguida, essas carteiras teriam sido revendidas ao BRB em duas operações: uma de R$ 6,7 bilhões e outra de R$ 5,5 bilhões, totalizando os R$ 12,2 bilhões transferidos.
Os investigadores afirmam que não encontraram comprovação da existência dos créditos negociados.
Relatório fala em tentativa de dar liquidez ao Master
A PF sustenta que a intenção do BRB era, na prática, fornecer recursos ao Banco Master, mas que limitações regulatórias impediam um empréstimo direto.
No documento, os investigadores afirmam que a substituição das carteiras de crédito teria ocorrido de forma incompatível com o contrato firmado e classificam a operação como uma tentativa de ocultar a fiscalização das transações.
Banco Central já havia emitido alerta
A investigação também afirma que o BRB continuou realizando repasses bilionários ao Banco Master mesmo após receber alertas do Banco Central sobre as operações.
Segundo a PF, apenas depois da transferência dos R$ 12,2 bilhões o banco público iniciou o processo de desfazer o negócio.
O relatório ainda aponta supostas irregularidades na substituição das carteiras de crédito e afirma que a devolução dos valores teria ocorrido de maneira diferente da prevista contratualmente.
Papel da empresa Tirreno
Os investigadores afirmam que a Tirreno mantinha relacionamento apenas com o Banco Master dentro do Sistema Financeiro Nacional e que não havia registros de operações de crédito da empresa nos sistemas consultados pela PF.
A corporação aponta a ausência de documentos que comprovassem a origem dos ativos negociados e afirma que não foi possível relacionar as operações a fluxos financeiros reais.
Cartos nega participação nas operações
Em nota incluída nos autos, a Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A. afirmou que não originou qualquer crédito e que não participou da cadeia operacional envolvendo a Tirreno.
A empresa declarou que não existem contratos ou pagamentos que a vinculem às operações investigadas e informou que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
