Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que a atuação direta de Cristiano Zanin e Gilmar Mendes junto à Polícia Federal para obter dados do celular de Daniel Vorcaro aumentou o desgaste de Edson Fachin na condução das investigações relacionadas ao Banco Master.
Segundo informações de bastidores, a decisão de Zanin e Gilmar de determinar diretamente à PF o envio de informações extraídas do aparelho de Vorcaro é vista por integrantes da Corte como um sinal de insatisfação com a condução do caso. A movimentação também evidencia a existência de diferentes frentes de atuação dentro do Supremo diante da crise envolvendo o banco.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro é um dos principais personagens das investigações. O conteúdo de seu celular passou a ser considerado peça relevante para esclarecer relações, contatos e possíveis operações relacionadas ao Banco Master.
A iniciativa de Zanin e Gilmar chama atenção porque os ministros optaram por uma atuação direta junto à Polícia Federal para obter os dados. Nos bastidores do STF, o movimento é interpretado como mais um fator de pressão sobre Fachin, que assumiu a condução do caso e passou a concentrar decisões relacionadas às investigações.
Desgaste dentro do Supremo
A avaliação entre ministros é que Fachin enfrenta um momento de desgaste justamente pela dificuldade de administrar uma investigação que envolve personagens com trânsito em diferentes setores de Brasília, incluindo empresários, advogados e integrantes do próprio sistema de Justiça.
A atuação individual de outros ministros em questões relacionadas ao caso contribui para expor divergências sobre a forma como a crise deve ser conduzida. O movimento de Zanin e Gilmar, nesse contexto, é visto como uma demonstração de que parte da Corte pretende acompanhar de perto as informações produzidas pela investigação.
O acesso aos dados do celular de Vorcaro é considerado estratégico porque pode ajudar a reconstruir a rede de contatos mantida pelo ex-banqueiro e identificar eventuais interlocuções com autoridades, empresários e advogados.
Gilmar e a relação com Vorcaro
A atuação de Gilmar Mendes ocorre em meio a informações sobre contatos anteriores de Vorcaro com pessoas próximas ao ministro.
Em 2025, o ex-banqueiro procurou a advogada Guiomar Feitosa, então esposa de Gilmar, para uma possível contratação. Segundo relato da própria advogada, Vorcaro foi pessoalmente ao escritório em Brasília e manifestou interesse em contar com seus serviços.
A contratação, porém, não avançou. Guiomar afirmou que pediu a Vorcaro os números dos processos que pretendia discutir e deixou claro que não assumiria casos nos quais não acreditasse ou nos quais não pudesse oferecer uma perspectiva jurídica responsável. O banqueiro não apresentou os processos e, posteriormente, não manteve novos contatos com a advogada.
Guiomar e Gilmar foram casados entre 2007 e o fim de 2025.
O episódio ganhou relevância no contexto da crise envolvendo o Banco Master porque reforça o interesse das investigações em mapear as relações e contatos mantidos por Vorcaro ao longo dos últimos anos.
Contratos milionários
Vorcaro também manteve relações profissionais com outros nomes de destaque da advocacia brasileira. Em janeiro de 2024, o então banqueiro firmou um contrato de R$ 128 milhões com a advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
O valor do contrato colocou Vorcaro no centro das atenções do meio jurídico e passou a integrar o conjunto de informações analisadas no contexto das investigações sobre o Banco Master.
Agora, com Zanin e Gilmar determinando diretamente à Polícia Federal o envio de dados do celular de Vorcaro, ministros avaliam que a disputa em torno da condução do caso pode ganhar novos contornos dentro do Supremo. A expectativa é de que o conteúdo dos aparelhos ajude a esclarecer a extensão das relações mantidas pelo ex-banqueiro e possa produzir novos desdobramentos na investigação.