Em meio à crise que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça fez uma referência religiosa durante discurso nesta quinta-feira (3) e pediu que Deus abençoe os integrantes do Judiciário para que possam “honrar a confiança” depositada pela população.
A declaração ocorreu durante uma cerimônia no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que marcou a assinatura de um pacto com organizações religiosas voltado à promoção da paz e da tolerância durante as eleições.
Durante o discurso, Mendonça destacou o papel dos líderes religiosos na sociedade e ressaltou a influência que eles exercem sobre os eleitores. Segundo o ministro, essas lideranças devem contribuir para transmitir segurança aos cidadãos e reforçar a importância do voto e da participação social.
“Honrar a confiança”
Ao falar sobre a responsabilidade dos representantes do Judiciário e do sistema de Justiça, Mendonça afirmou que todos devem estar à altura da confiança recebida dos cidadãos.
“Que Deus os abençoe nessa missão e nos abençoe, desse lado da mesa, a todos que representam o Poder Judiciário e o sistema de Justiça. Que nós possamos honrar a confiança que o povo, o cidadão, deposita em nós e em cada um dos senhores”, declarou.
Mendonça também afirmou que o processo eleitoral deve reforçar a igualdade entre os brasileiros, independentemente de posição econômica, raça, fé ou sexo.
Fala ocorre após divulgação de mensagens de Vorcaro
O discurso é uma das primeiras manifestações públicas de André Mendonça desde que o ministro determinou a retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal que reúne mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A decisão desencadeou uma nova crise institucional no STF e provocou reações dentro da própria Corte, além de ampliar as tensões envolvendo a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.
Segundo o conteúdo divulgado, as mensagens mostram Vorcaro pedindo a Moraes que atuasse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, em meio ao avanço das investigações envolvendo o Banco Master.
Crise envolve STF, PF e PGR
A divulgação do relatório colocou no centro da crise não apenas Alexandre de Moraes, mas também integrantes da cúpula da Polícia Federal e da PGR.
Mendonça, que é o relator do caso no STF, passou a ser alvo de críticas e questionamentos sobre a decisão de tornar públicos os dados da investigação.
O episódio abriu um debate dentro do Supremo sobre a legalidade da obtenção das informações, os limites da atuação da Polícia Federal e a forma como eventuais investigações envolvendo ministros da própria Corte devem ser conduzidas.
Nesse contexto, a fala de Mendonça sobre a responsabilidade do Judiciário e a necessidade de “honrar a confiança” da população ocorre em um momento de forte pressão sobre as instituições que integram o sistema de Justiça.
