O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que declare nula a decisão que autorizou a Polícia Federal a produzir um relatório sobre mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
A manifestação foi apresentada por Gonet em 1º de setembro. Nela, o procurador-geral sustenta que a investigação determinada por Mendonça, relator do inquérito que apura as fraudes envolvendo o Banco Master, ultrapassou os limites de atuação de um magistrado durante a chamada fase pré-processual.
Segundo Gonet, uma eventual investigação sobre um ministro do STF deveria ser submetida à própria Corte, que teria de decidir sobre a abertura da apuração.
Mensagens envolvem Moraes e família
Os dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro revelaram uma série de interações atribuídas pelos investigadores ao banqueiro, Alexandre de Moraes e pessoas da família do ministro.
Entre os registros analisados pela Polícia Federal estão conversas que apontam para um suposto pedido de Vorcaro para que Moraes interferisse em seu favor na atuação do próprio Paulo Gonet.
A divulgação das mensagens ocorreu após André Mendonça retirar o sigilo de parte dos autos da investigação.
Plenário pode decidir sobre investigação
Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, o plenário do STF, formado pelos 11 ministros da Corte, deverá decidir tanto sobre o pedido de anulação do relatório da Polícia Federal quanto sobre uma eventual investigação envolvendo Alexandre de Moraes.
Até a publicação da reportagem, André Mendonça ainda não havia se manifestado sobre o pedido apresentado por Gonet.
Fraudes do Banco Master
As investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master apontam para fraudes estimadas em aproximadamente R$ 12 bilhões.
O valor está relacionado principalmente à venda de carteiras de crédito supostamente falsas ou sem lastro pelo Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).
A manifestação de Paulo Gonet agora coloca em discussão não apenas o conteúdo dos dados extraídos do celular de Vorcaro, mas também a validade da própria decisão que levou a Polícia Federal a produzir o relatório sobre as mensagens.