A crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ganhou uma tentativa de mediação externa à Corte. O ex-presidente Michel Temer entrou em contato com Moraes e sugeriu que ele procurasse Mendonça para tentar construir uma saída negociada para o conflito.
A iniciativa, porém, ocorreu antes de uma nova escalada da disputa.
Temer confirmou que telefonou para Moraes, mas afirmou que a conversa foi rápida e que não chegou a falar diretamente com Mendonça. Segundo o ex-presidente, a orientação foi para que os próprios ministros buscassem uma solução dentro do Supremo, evitando que o impasse fosse resolvido por meios litigiosos.
“Eu sempre estive naquela linha da pacificação, da tranquilização do país. Essa questão do Supremo realmente é muito grave. Então, às vezes, como uma disputa entre setores, ainda que seja entre o Alexandre e o Mendonça, o ideal seria dialogarem lá, todos eles, e chegarem a uma composição, porque qualquer solução litigiosa, digamos assim, que o Supremo venha a dar será péssima para o país”, disse Temer.
A avaliação do ex-presidente mudou de tom após uma decisão tomada por Mendonça nesta terça-feira (8). O ministro determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal e de Leandro Almada da direção de Inteligência Policial.
A medida foi tomada no âmbito da investigação sobre relatórios de inteligência que, segundo Mendonça, indicariam monitoramento direcionado contra ele e contra o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Para Temer, a nova decisão aumentou a dificuldade para uma eventual tentativa de entendimento entre os ministros.
“Pois é, ficou complicado. Eu reconheço que complicou bastante. Até domingo, por exemplo, não havia essa decisão mais rigorosa, digamos assim. Então, acho que agora ficou um pouco difícil”, afirmou.
Mesmo diante do agravamento do conflito, Temer não descartou uma solução negociada.
“Eu ainda espero, dando um palpite, que eles encontrem uma solução de harmonia interna. Vai ficar muito mal para o Supremo e para o país”, disse o ex-presidente.
Com informações de Pleno News