O ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, discutiu a situação do Banco Master com o advogado Walfrido Warde, que atuava para o então controlador da instituição, Daniel Vorcaro. As conversas ocorreram em um grupo de WhatsApp chamado “Amigos”, em julho de 2025, e foram recuperadas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro.
Em uma das mensagens, Warde pediu a Marcola que levasse a Lula reclamações sobre a atuação do Banco Central na negociação para a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB). “@Marco Aurélio Marcola teremos de ir pra cima do Bacen. Peço pra avisar o presidente”, escreveu o advogado.
Na sequência, Warde criticou o então presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmando que ele “não tem estofo pro cargo”, e voltou a pedir que o recado chegasse ao presidente. Marcola respondeu inicialmente “Vixe. Blz” e, depois de uma nova reclamação sobre o BC, escreveu: “Avisarei aqui. Dou notícias”.
As mensagens foram trocadas em um momento em que o Banco Master enfrentava dificuldades relacionadas à tentativa de venda ao BRB. Segundo os relatos divulgados, Vorcaro havia informado a Warde sobre uma reunião na qual Galípolo teria apontado problemas contábeis na instituição. A operação de venda do Master ao BRB acabou sendo rejeitada pelo Banco Central em setembro de 2025.
Tentativas de aproximação com Lula
Os diálogos fazem parte de um conjunto maior de mensagens que indicam tentativas de aproximação de Vorcaro com o presidente Lula e integrantes do governo federal.
Em abril de 2024, Warde teria relatado ao banqueiro que havia recebido uma mensagem de Marcola solicitando um e-mail com os assuntos que Vorcaro pretendia tratar com Lula. A ideia, segundo o advogado, seria formalizar o pedido de reunião em nome da defesa do banqueiro.
O encontro entre Lula e Vorcaro ocorreu em 4 de dezembro de 2024, no Palácio do Planalto. De acordo com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência, foi a única reunião entre os dois. Segundo o governo, Vorcaro relatou que se sentia perseguido, e Lula respondeu que eventuais denúncias deveriam ser analisadas tecnicamente pelo Banco Central.
Em outro conjunto de mensagens, Warde também relatou a Vorcaro que teria conversado com Lula e que o presidente teria perguntado como o banqueiro estava. O advogado ainda mencionou um suposto agradecimento por um uísque. A Secom, porém, afirma que Lula nunca recebeu presente de Vorcaro e que o presidente desconhecia qualquer articulação feita por Warde em relação ao banqueiro.
O que diz Marcola
Por meio de sua assessoria, Marco Aurélio Santana Ribeiro afirmou que nunca procurou Walfrido Warde ou qualquer representante do Banco Master. Segundo a nota, ele apenas teria seguido os procedimentos de sua função de chefe de gabinete ao solicitar que eventual pedido de audiência fosse formalizado por e-mail, como ocorria com outras solicitações.
A defesa de Daniel Vorcaro informou que não se manifestaria, e Walfrido Warde não havia apresentado resposta até a publicação das reportagens. O Banco Central também não comentou os diálogos.
As mensagens fazem parte do material apreendido pela Polícia Federal no âmbito das investigações sobre o Banco Master. A existência das conversas e o encaminhamento de pedidos a Lula não estabelecem, por si só, que o presidente ou seu ex-chefe de gabinete tenham cometido irregularidades. Eventuais responsabilidades dependem da análise do conjunto das provas e das conclusões das investigações.
