Dados apresentados do Portal da Transparência indicam pagamentos que, somados, chegam a R$ 437,8 mil brutos em julho; caso das efetivações sem concurso promovidas na Assembleia chegou ao STF
Um dos capítulos mais controversos da trajetória política de Álvaro Dias voltou ao centro da campanha pelo Governo do Rio Grande do Norte. O assunto foi trazido à tona por Allyson Bezerra, que passou a explorar o chamado “Trem da Alegria” da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN), episódio envolvendo efetivações de servidores sem concurso público durante o período em que Álvaro presidiu a Casa.
O tema ganha dimensão ainda maior diante dos valores registrados na folha de pagamento apresentada como referente a julho de 2026. O levantamento reúne Álvaro Dias, familiares e antigos colaboradores e aponta remunerações que, somadas, alcançam R$ 437.811,09 brutos em um único mês, além de R$ 296.843,82 em valores líquidos.
Mantido esse patamar durante 12 meses, o impacto bruto supera R$ 5,25 milhões por ano.
Irmão de Álvaro aparece com mais de R$ 50 mil
Entre os nomes relacionados no levantamento está Humberto Costa Dias, irmão de Álvaro, identificado como Assessor Técnico. Em julho, sua remuneração teria atingido R$ 50.398,85 brutos, dos quais R$ 29.331,77 líquidos.
Outro irmão, Anselmo Costa Dias, aparece como Assessor Técnico Administrativo, com R$ 45.131,22 brutos e R$ 30.059,08 líquidos.
O próprio Álvaro Costa Dias consta na relação apresentada, no cargo de Assessor Técnico Administrativo, com R$ 37.543,78 brutos e R$ 25.002,52 líquidos.
A lista inclui ainda pessoas apontadas no levantamento como parentes ou antigos colaboradores: Rosane Teixeira de Carvalho, Sérgio Augusto Dias Florêncio, Noya Maria Dias Florêncio, Silvana Medeiros Gurgel Dias, Leila Medeiros Brandão Florêncio, Regina Maria de Araújo Dias, Lúcio de Medeiros Dantas Júnior e Pacífico José Dantas Fernandes.
Individualmente, as remunerações brutas relacionadas variam de R$ 24,1 mil a R$ 50,3 mil mensais.
Caso remonta à presidência de Álvaro na Assembleia
A controvérsia tem origem no período entre 1997 e 2003, quando Álvaro Dias presidiu a Assembleia Legislativa.
Segundo o histórico judicial citado nas apurações sobre o caso, 193 pessoas teriam sido enquadradas como servidores efetivos sem aprovação prévia em concurso público, situação posteriormente questionada pelo Ministério Público.
A discussão deu origem a uma extensa batalha judicial e chegou ao Supremo Tribunal Federal. Na Reclamação 26.774/RN, o STF analisou atos de estabilidade funcional concedidos sem concurso à luz da vedação constitucional ao provimento de cargos públicos sem a realização do certame exigido pela Constituição.
A controvérsia jurídica torna o caso particularmente sensível porque envolve atos praticados durante a gestão de Álvaro no comando da Assembleia e pessoas de seu círculo familiar e político que posteriormente aparecem vinculadas à folha do Legislativo.
Allyson transforma episódio em tema da campanha
Ao resgatar o caso, Allyson Bezerra coloca Álvaro Dias diante de uma questão que ultrapassa a disputa eleitoral atual. O adversário passa a ser pressionado a explicar não apenas decisões tomadas quando comandava a Assembleia, mas também a permanência, décadas depois, de familiares e pessoas próximas entre os beneficiários de pagamentos elevados relacionados ao Legislativo estadual.
Um dos pontos que merece esclarecimento é a situação funcional individual de cada pessoa atualmente: se está na ativa ou aposentada, qual o fundamento jurídico de cada pagamento e quais parcelas extraordinárias compõem os valores de julho.
Também merece comprovação específica qualquer afirmação de que determinado servidor “não dá expediente”. O valor constante da folha, isoladamente, não demonstra ausência ao trabalho — e, se o beneficiário for inativo, sequer haveria obrigação de expediente. Essa distinção é essencial para uma publicação investigativa juridicamente sólida.
Uma conta de R$ 5,2 milhões
A dimensão financeira é o elemento mais contundente levantado até agora.
Somados os 11 nomes apresentados, são R$ 437.811,09 brutos por mês. A projeção simples de 12 folhas resulta em R$ 5.253.733,08 por ano, sem considerar eventuais alterações mensais, 13º salário ou outras parcelas.
É justamente essa combinação — efetivações sem concurso, vínculos familiares, remunerações elevadas e uma disputa judicial que chegou ao STF — que transforma o antigo “Trem da Alegria” em um dos assuntos potencialmente mais explosivos da campanha.
Ao trazer o episódio novamente à discussão pública, Allyson abre uma nova frente contra Álvaro Dias e coloca no centro do debate uma pergunta que atravessou décadas: quanto o Rio Grande do Norte ainda paga hoje por decisões tomadas dentro da Assembleia no fim dos anos 1990 e início dos anos 2000?
Nota editorial: antes da publicação, tentamos contato com a assessoria de Álvaro dias através de seu Instagram oficial mas ainda não obtivemos resposta.