Mensagens de celular recuperadas pela Polícia Federal mostram que, seis meses antes da liquidação extrajudicial do Banco Master, o banqueiro Daniel Vorcaro já discutia com o então presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, formas de contornar regras do sistema financeiro para realizar operações entre as instituições.
Segundo informações divulgadas pela Veja neste domingo (27), o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master em novembro de 2025. Antes disso, o BRB tentou comprar o banco, operação que, segundo o texto, resultou em um prejuízo calculado em R$ 12 bilhões.
A transação envolveu negociações de títulos considerados sem lastro. De acordo com a PF, mensagens trocadas entre Vorcaro e Paulo Henrique indicavam que ambos tinham conhecimento de que as carteiras de crédito negociadas apresentavam “vícios insanáveis”.
Em uma das conversas, Paulo Henrique pediu a Vorcaro cópias de contratos com associações baianas envolvidas nas operações financeiras: a Associação dos Servidores Técnico-Administrativos e Afins do Estado da Bahia (ASTEBA) e a Associação dos Servidores da Saúde e Afins da Administração Direta do Estado da Bahia (ASSEBA).
Segundo as informações da investigação, muitas das operações do Master tinham origem nessas associações.
Em uma mensagem, Vorcaro questionou Paulo Henrique sobre uma operação financeira: “Amigo, acha que consegue vencer esses 400 hoje e termos até segunda pra sanar tudo?”. Na sequência, o banqueiro afirmou: “Situação tá bem crítica, não vamos conseguir”.
Paulo Henrique respondeu que não conseguiria concluir a operação sem as comprovações necessárias.
“Infelizmente não conseguirei superar sem as comprovações de averbação”, escreveu o então presidente do BRB. Ele acrescentou: “Tentamos por várias semanas e precisei me comprometer que não faríamos mais operações sem isso e a assinatura do contrato de auditoria”.
Relatório da Polícia Federal
Segundo a investigação da Polícia Federal, o Banco Master realizou operações sem lastro para contornar exigências do sistema financeiro.
“Verificou-se a realização reiterada de recompras de carteiras pelo Banco Master em razão de vícios nos créditos cedidos ao BRB, incluindo ausência de lastro documental válido, inexistência de consentimento dos supostos devedores e dúvidas quanto à origem das obrigações”, afirma um relatório da PF.
Ainda de acordo com o documento, as duas instituições continuaram realizando operações mesmo após alertas sobre a ausência de lastro.
“Apesar do reconhecimento dessas falhas pelo BRB, as recompras não resultaram na suspensão das cessões, que continuaram a ocorrer paralelamente, inclusive com ativos de características semelhantes às carteiras devolvidas”, concluiu a Polícia Federal.