O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu o julgamento de uma ação apresentada pelo PT que questiona a distribuição dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para as eleições de 2026. Com a interrupção da análise, ficou bloqueado o repasse de cerca de 48% dos recursos destinados aos partidos.
O julgamento foi interrompido após um pedido de vista da ministra Estela Aranha, feito depois de o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, votar contra o pedido apresentado pelo PT.
A ação está relacionada a uma disputa envolvendo o mandato do deputado federal Paulão (PT-AL). O caso pode alterar o cálculo utilizado para definir a participação de cada legenda no fundo eleitoral, que terá aproximadamente R$ 4,96 bilhões para as eleições deste ano.
Com a suspensão do julgamento, uma parcela bilionária dos recursos permanece sem distribuição definitiva às siglas a poucos dias do início oficial da campanha eleitoral.
PT tenta aumentar participação
O PT argumenta que a composição de sua bancada na Câmara dos Deputados deve ser considerada de maneira diferente no cálculo do fundo eleitoral. Caso o pedido seja acolhido, o partido poderá receber cerca de R$ 315 milhões adicionais, segundo a estimativa apresentada no processo.
O aumento dos recursos seria especialmente relevante para a legenda em um ano eleitoral marcado pela tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O julgamento, entretanto, ainda não foi concluído. Com o pedido de vista, a ministra Estela Aranha deverá analisar o processo antes de apresentar seu voto, e os demais ministros ainda precisarão se manifestar.
Distribuição fica parcialmente travada
A suspensão afeta todos os partidos que dependem dos recursos do fundo eleitoral para financiar suas campanhas. Entre as maiores legendas, o PL possui a maior fatia prevista do montante e também é diretamente afetado pela paralisação da distribuição.
O Fundo Eleitoral é uma das principais fontes públicas de financiamento das campanhas políticas no Brasil. Os valores são distribuídos entre os partidos de acordo com critérios definidos pela legislação eleitoral e pelo TSE.
A indefinição ocorre justamente na proximidade do início oficial da campanha de 2026, aumentando a pressão para que a Corte conclua a análise e estabeleça os critérios definitivos para a distribuição dos recursos.
Até que o julgamento seja retomado e haja uma decisão final, parte dos quase R$ 5 bilhões previstos para financiar as campanhas permanece bloqueada.
