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Início Brasil

URGENTE: Flávio Dino afasta presidente do TCE-MA por 180 dias durante investigação

Por Junior Melo
17/ago/2026
Em Brasil, STF
Segundo Dino, um órgão independente de controle externo não pode ser presidido por uma pessoa investigada. Rosinei Coutinho/STF - Arquivo

Segundo Dino, um órgão independente de controle externo não pode ser presidido por uma pessoa investigada. Rosinei Coutinho/STF - Arquivo

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (17) o afastamento cautelar de Daniel Brandão da presidência do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) pelo período de 180 dias.

A decisão ocorre no âmbito de uma investigação que teve como ponto de partida o assassinato do empresário João Bosco Pereira Oliveira Sobrinho, ocorrido em São Luís, em 2022. De acordo com as apurações citadas na decisão, o homicídio teria acontecido durante uma reunião relacionada à divisão de valores provenientes de propinas associadas a contratos públicos supostamente fraudados.

Daniel Brandão, que é sobrinho do governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), é alvo de suspeitas relacionadas a uma possível tentativa de interferir nas investigações e a possíveis irregularidades financeiras.

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Na decisão, Dino argumentou que um órgão responsável pelo controle externo da administração pública não deveria ser presidido por alguém que esteja no centro de uma investigação relacionada a um homicídio.

O ministro também mencionou suspeitas envolvendo uso indevido de recursos públicos, cobrança de propinas e pagamentos considerados fraudulentos, além de possíveis relações com empresas ligadas à família de Brandão.

Investigação sobre o assassinato

O afastamento foi determinado como medida cautelar para permitir o avanço das investigações sobre a morte do empresário João Bosco Pereira Oliveira Sobrinho.

Segundo a decisão de Dino, existem elementos que apontariam para uma possível utilização da posição ocupada por Daniel Brandão no TCE-MA com o objetivo de dificultar sua identificação ou envolvimento nas apurações sobre o homicídio.

Relatórios da Polícia Federal indicam que, depois do assassinato, o autor confesso do crime, Gilbson César Soares Cutrim Júnior, teria mantido contato com Daniel Brandão e outros familiares do governador.

As informações reunidas pela PF apontam ainda para a possibilidade de terem sido oferecidas vantagens, como cargos públicos e auxílio financeiro, em troca do silêncio sobre uma eventual participação de agentes públicos no contexto investigado.

Além do homicídio, a decisão cita suspeitas relacionadas ao uso de recursos provenientes de emendas parlamentares para supostos pagamentos de propina e ao desvio de valores de contratos públicos por meio de empresas vinculadas ao investigado.

Medidas determinadas pelo STF

Além do afastamento da presidência do TCE-MA, Flávio Dino determinou outras restrições a Daniel Brandão.

Entre as medidas estão a proibição de acesso às instalações e aos sistemas do Tribunal de Contas, o impedimento de participação em eventos oficiais e de utilização de bens e serviços da instituição.

O conselheiro também ficou proibido de manter contato com o governador Carlos Brandão, com outros investigados mencionados na decisão e com familiares da vítima.

Divisão de funções sob investigação

A investigação também descreve uma possível divisão de tarefas entre diferentes envolvidos. Conforme os elementos citados no processo, políticos, operadores financeiros e integrantes das forças de segurança teriam desempenhado funções distintas dentro do suposto esquema investigado.

As suspeitas ainda são objeto de apuração e não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos investigados.

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