O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que decidiu adiar um novo ataque contra o Irã caso seja possível alcançar rapidamente um acordo que impeça o avanço do programa nuclear iraniano e permita a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de energia do mundo.
A declaração foi feita no sábado (à noite) por meio da rede social Truth Social. Segundo Trump, o Irã e outros países do Oriente Médio pediram mais tempo para concluir uma proposta diplomática que levaria à reabertura “imediata, completa e total” do estreito e ao encerramento da ameaça nuclear.
“Com base nesse pedido, concordei, para o benefício futuro do mundo e, da mesma forma, para a sobrevivência de um Irã bem-sucedido e próspero, em cancelar o ataque, desde que seja possível chegar rapidamente a um acordo”, escreveu o presidente americano.
Trump não revelou quais países fizeram o pedido, mas a publicação ocorreu após uma conversa com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, aliado estratégico de Washington no Oriente Médio. O governo saudita informou que o líder defendeu a necessidade de priorizar o diálogo para reduzir as tensões na região.
Segundo Trump, Israel também concordou com a decisão de aguardar uma possível solução diplomática.
Tensão aumenta no Oriente Médio
A sinalização de recuo representa uma nova mudança no cenário de conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Nos últimos meses, a crise se espalhou pelo Golfo Pérsico, Mar Vermelho e outras áreas estratégicas, elevando os riscos de uma escalada militar.
O Irã praticamente bloqueou o Estreito de Ormuz, passagem responsável pelo transporte de uma parcela significativa do petróleo e gás natural liquefeito consumidos mundialmente. A medida provocou preocupação nos mercados internacionais e contribuiu para a alta dos preços da energia.
O ministro da Energia de Israel, Eli Cohen, afirmou que existe uma coordenação estreita entre os governos israelense e americano, especialmente nas áreas de segurança e inteligência. No entanto, destacou que Tel Aviv continuará preparado para agir caso o Irã avance em seu programa nuclear ou fortaleça sua capacidade de mísseis balísticos.
“Com ou sem acordo, independentemente de compromissos externos, se o Irã tentar retomar seu programa nuclear ou avançar em sua indústria de mísseis balísticos, estaremos lá. Tomaremos medidas e atacaremos”, declarou Cohen.
Trump aposta em negociação, mas mantém pressão sobre Teerã
Trump afirmou que acredita na possibilidade de um acordo por meio dos negociadores americanos, incluindo seu genro Jared Kushner, o enviado especial Steve Witkoff e o secretário de Estado Marco Rubio.
O governo iraniano, por outro lado, rejeita as acusações de que busca desenvolver armas nucleares. O ministro interino da Defesa do Irã, Brigadeiro-General Majid Ebn Al-Reza, classificou as ameaças americanas como uma “guerra psicológica e cognitiva”, mas afirmou que Teerã aumentará sua preparação militar para evitar surpresas.
A reunião entre Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, realizada em Washington, também teve como foco alternativas para conter o programa nuclear iraniano, incluindo diplomacia, sanções econômicas e possibilidade de uso da força.
Mercado de petróleo acompanha crise
A instabilidade no Oriente Médio já impacta o mercado de energia. Após o fim de um cessar-fogo em abril, contratos futuros do petróleo Brent registraram forte alta, e analistas avaliam que os preços podem continuar pressionados.
Trump afirmou que impedir que o Irã desenvolva armas nucleares é uma prioridade, mesmo diante dos efeitos econômicos de curto prazo causados pela crise energética.
Além da tensão no Estreito de Ormuz, aliados do Irã no Iêmen também elevaram as ameaças contra o Estreito de Bab el-Mandeb, outra rota estratégica para o transporte de petróleo no Mar Vermelho.
O Serviço de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido relatou dois incidentes na costa de Omã. Em um deles, um projétil atingiu um navio-tanque e causou danos à casa de máquinas. No outro caso, uma explosão foi registrada próxima a uma embarcação, mas sem relatos de danos.