A crise migratória em Ceuta ganhou novos contornos dramáticos neste domingo (2). O número de migrantes mortos durante a tentativa de entrada em massa no território espanhol subiu para 72, segundo o governo local. A maior parte das vítimas morreu por afogamento durante a travessia, enquanto outras perderam a vida em meio a pisoteamentos.
O novo balanço foi divulgado pelo delegado do governo em Ceuta, Miguel Ángel Pérez Triano. Anteriormente, as autoridades haviam confirmado 67 mortes.
A onda migratória levou cerca de 60 mil pessoas a atravessarem a fronteira entre o Marrocos e o enclave espanhol, localizado no norte da África. De acordo com o governo espanhol, a maioria dos migrantes já retornou ao território marroquino nas últimas 48 horas.
Espanha reforça segurança na fronteira
Após dias de caos, a situação em Ceuta começou a voltar à normalidade. Policiais e militares continuam patrulhando as ruas do enclave para evitar novas invasões, enquanto apenas um pequeno grupo de migrantes permanece na cidade.
Como parte do reforço na segurança, a Espanha instalou uma nova barreira marítima de aproximadamente 500 metros de extensão, equipada com boias, para dificultar novas travessias pelo Mar Mediterrâneo. Embarcações de resgate seguem monitorando a região.
Papa pede paz diante da crise
Durante a oração do Angelus, o papa manifestou preocupação com a situação humanitária em Ceuta e fez um apelo para que a crise seja resolvida por meio do diálogo.
Segundo o pontífice, é necessário buscar “soluções de paz, estabilidade e justiça” para enfrentar o problema migratório.
Espanha aponta ação de grupos criminosos
O governo espanhol atribuiu a onda migratória à atuação de organizações criminosas, que teriam espalhado informações falsas nas redes sociais sobre uma suposta flexibilização das regras de imigração após uma decisão recente da Suprema Corte espanhola.
As autoridades afirmam que os boatos incentivaram milhares de pessoas a tentar cruzar a fronteira de forma irregular.
Pressão diplomática entra em debate
Além da atuação das redes criminosas, analistas internacionais levantam a hipótese de que o governo do Marrocos tenha permitido a travessia em massa como forma de pressionar diplomaticamente a Espanha.
A avaliação ocorre após Madri reforçar sua aproximação com a Argélia, principal rival regional de Rabat.
Até o momento, o governo marroquino não se pronunciou oficialmente sobre a crise.
A tragédia em Ceuta reacende o debate sobre o controle das fronteiras europeias, o combate às redes de tráfico de migrantes e os desafios enfrentados pelos países diante do aumento da imigração irregular.