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Início Saúde

Síndrome de Capgras: o raro transtorno que faz a pessoa acreditar que familiares foram substituídos por impostores

Por Junior Melo
02/ago/2026
Em Saúde
Foto: Tima Miroshnichenko/Pexels

Foto: Tima Miroshnichenko/Pexels

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Imagine olhar para um familiar, reconhecer perfeitamente seu rosto, sua voz e seus gestos, mas acreditar, com total convicção, que aquela pessoa foi substituída por um impostor. Esse é o principal sintoma da Síndrome de Capgras, um transtorno raro que altera a forma como o cérebro interpreta a identidade das pessoas.

Embora incomum na população em geral, a condição é mais frequente em pacientes com doenças neurodegenerativas, especialmente o Alzheimer, além de poder estar relacionada a outras alterações neurológicas e psiquiátricas.

Como a síndrome se manifesta

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Pessoas com Síndrome de Capgras costumam acreditar que familiares, amigos ou cuidadores foram trocados por indivíduos idênticos na aparência, mas que seriam impostores.

Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Desconfiança extrema em relação a pessoas próximas;
  • Recusa em conversar ou permanecer perto do suposto “impostor”;
  • Agitação, irritação e comportamento agressivo em alguns casos;
  • Convicção persistente da falsa crença, mesmo diante de provas em contrário.

Esse delírio pode comprometer significativamente a convivência familiar e exigir acompanhamento especializado.

Causas ainda não são totalmente conhecidas

Apesar de ter sido descrita pela primeira vez na década de 1920, a Síndrome de Capgras ainda não possui uma causa completamente esclarecida.

Pesquisadores acreditam que o transtorno esteja relacionado a alterações em áreas do cérebro responsáveis pelo reconhecimento facial e pelo processamento emocional.

A síndrome pode surgir associada a doenças como Alzheimer, outras demências, esquizofrenia, traumatismos cranianos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs).

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é realizado por médicos especialistas com base na avaliação clínica e em exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética, que ajudam a identificar possíveis alterações cerebrais.

O tratamento depende da doença de base. Medicamentos antipsicóticos podem aliviar os sintomas em alguns pacientes, enquanto o controle da condição associada pode reduzir a intensidade dos episódios.

Nos casos relacionados a doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, o acompanhamento costuma ser contínuo, já que não existe cura definitiva para essas enfermidades.

Outras síndromes de falsa identificação delirante

A Síndrome de Capgras integra um grupo conhecido como síndromes de falsa identificação delirante, em que o paciente interpreta de forma equivocada a identidade de pessoas, objetos ou até de si mesmo.

Entre elas estão:

  • Síndrome de Fregoli: o paciente acredita que diferentes pessoas são, na verdade, um único indivíduo disfarçado.
  • Intermetamorfose: acredita que pessoas conhecidas trocaram de identidade entre si.
  • Síndrome dos duplos subjetivos: a pessoa acredita possuir sósias vivendo vidas independentes.
  • Pluralização clonal: o paciente acredita que existem cópias idênticas de si mesmo.
  • Identificação errônea do próprio reflexo: a pessoa acredita que a imagem no espelho pertence a um estranho.
  • Síndrome dos companheiros delirantes: o paciente atribui consciência, personalidade e emoções a objetos inanimados.

Essas condições são raras, mas reforçam a complexidade do funcionamento do cérebro e a importância do diagnóstico precoce para garantir o tratamento adequado e o suporte às famílias.

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