Uma nova combinação de medicamentos desenvolvida pela farmacêutica Eli Lilly apresentou resultados expressivos contra a obesidade e o diabetes tipo 2. Em um estudo de fase 2b, a associação da tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, com a molécula experimental eloralintida levou a uma perda média de até 23,3% do peso corporal em 48 semanas.
Os resultados foram apresentados durante o congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), realizado em Milão, na Itália. A combinação recebeu o nome de EloraTZP.
Quase 25 quilos a menos
O estudo acompanhou 367 adultos com sobrepeso ou obesidade e diabetes tipo 2, nos Estados Unidos e na Argentina. No início da pesquisa, o peso médio dos participantes era de aproximadamente 105,4 quilos, enquanto a hemoglobina glicada média estava em 8,1%.
Na dose mais elevada da combinação, a perda média chegou a 23,3%, equivalente a cerca de 24,6 quilos.
Para comparação, os participantes que receberam tirzepatida na dose de 15 mg perderam, em média, 14,8% do peso corporal. A eloralintida isoladamente proporcionou perdas entre 8,2% e 12,3%, enquanto o grupo placebo perdeu cerca de 3%.
A combinação também apresentou redução maior da hemoglobina glicada. Na dose mais alta, a queda chegou a 2,9 pontos percentuais, contra 2,4 pontos com a tirzepatida isoladamente.
Como funciona a combinação?
A tirzepatida atua sobre os receptores dos hormônios GIP e GLP-1, ajudando a controlar a glicose e a reduzir o apetite.
Já a eloralintida é uma molécula experimental que atua sobre o sistema da amilina, outro mecanismo relacionado à saciedade e ao controle da ingestão de alimentos.
A associação busca, portanto, atuar simultaneamente em três vias hormonais: GIP, GLP-1 e amilina.
Mais perda de peso, mas também mais efeitos colaterais
O resultado veio acompanhado de um ponto de atenção: os efeitos adversos foram mais frequentes nos grupos que receberam a combinação.
Os principais problemas relatados foram náuseas, vômitos e outros sintomas gastrointestinais, especialmente durante o período de aumento das doses.
Entre os grupos que receberam EloraTZP, a taxa de abandono do tratamento por efeitos adversos ficou entre 10,8% e 27%. No grupo que recebeu apenas tirzepatida, a taxa foi de 2,9%.
A Lilly pretende modificar a estratégia de administração nos próximos estudos, com uma formulação combinada e um processo de aumento de dose mais gradual. A farmacêutica informou que pretende iniciar os estudos de fase 3 ainda no quarto trimestre de 2026.
Remédio ainda não está aprovado
Apesar dos resultados, o EloraTZP continua sendo um tratamento experimental. A combinação ainda não foi aprovada pelas autoridades regulatórias e não está disponível para uso clínico.
Os estudos de fase 3, com um número maior de participantes e acompanhamento mais prolongado, serão necessários para avaliar com mais precisão a eficácia, a segurança e a tolerabilidade do tratamento.
Por enquanto, os dados mostram uma perda média de até 23,3% do peso em 48 semanas em pessoas com obesidade ou sobrepeso e diabetes tipo 2 — mas ainda não permitem concluir como a combinação se comportará em tratamentos de longo prazo.
