O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em entrevista concedida nesta quinta-feira (27), que não está preocupado com a trajetória da dívida pública brasileira. O presidente também descartou a possibilidade de privatizar os Correios caso seja reeleito.
Durante entrevista ao “Jornal Nacional”, Lula relacionou o nível da dívida ao baixo crescimento da economia brasileira nos últimos anos e afirmou que a expansão do PIB pode contribuir para reduzir a proporção da dívida.
“Você acha que o Brasil tem um problema de dívida pública porque nós chegamos a 80%. Sabe por quê? Porque passamos mais de 10 anos sem crescer (…) Na medida que você começa a crescer a economia, a dívida começa a cair. 80% de dívida não é uma preocupação nos Estados Unidos”, disse.
Crescimento do PIB
Lula afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro voltou a registrar crescimento acima de 2% desde o início de seu terceiro mandato.
O presidente também citou o desempenho da economia no período em que deixou a Presidência, em 2010, quando, segundo ele, a taxa de crescimento estava em 7,5%.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a economia brasileira cresceu 2,9% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025.
Orçamento de 2023
Durante a entrevista, Lula também afirmou que assumiu o governo sem orçamento suficiente para administrar o país.
“Nós não tínhamos orçamento pra governar. A PEC [Proposta de Emenda à Constituição) da Transição foi, inclusive, pra pagar rombo deixado pelo outro governo.”
A PEC da Transição foi aprovada em dezembro de 2022 e permitiu ao novo governo ampliar o teto de gastos em R$ 145 bilhões no Orçamento de 2023, primeiro ano do terceiro mandato de Lula.
Lula descarta privatização dos Correios
Outro assunto abordado durante a entrevista foi a situação financeira dos Correios.
Conforme informado pela CNN Brasil, a estatal registrou prejuízo de R$ 3,2 bilhões no primeiro trimestre deste ano, quase o dobro do resultado registrado no mesmo período de 2025.
Questionado sobre a situação da empresa, Lula afirmou que os Correios enfrentam uma crise desde 1985 e que, ao longo desse período, houve tentativas de privatização.
O presidente, porém, reconheceu que a estatal “não se adaptou aos novos tempos”.
Lula afirmou que pretende promover mudanças na administração e trabalhar para recuperar a empresa, mas descartou sua venda.
“Se for necessário fazer associação com empresa, nós faremos. Garanto [que vai sair da crise]. Não considero vender o Correios. Considero recuperar o Correios”, afirmou.
Com informações de CNN Brasil.
