Autoridades iranianas avaliam a possibilidade de atacar bases militares dos Estados Unidos localizadas na Europa caso o conflito no Oriente Médio avance para uma nova escalada. A informação foi publicada pelo Financial Times nesta quarta-feira (19), com base em relatos de duas fontes ligadas ao regime de Teerã.
De acordo com o jornal britânico, instalações e ativos militares americanos na Bulgária e no Chipre estariam entre os possíveis alvos considerados pelas autoridades iranianas.
Em resposta à reportagem, um representante da Otan afirmou que a aliança está preparada para reagir a eventuais ameaças e que continuará adotando as medidas necessárias para proteger seus integrantes.
“Conforme demonstrado neste ano, quando as defesas aéreas da Otan interceptaram com sucesso mísseis balísticos lançados do Irã em direção à Turquia em quatro ocasiões distintas, nossa postura de dissuasão e defesa é forte e eficaz”, disse o representante.
Negociações entre EUA e Irã seguem paralisadas
As conversas entre Estados Unidos e Irã para tentar encerrar o conflito permanecem suspensas. Não há, até o momento, indicação de que as negociações sejam retomadas no curto prazo.
Na terça-feira (18), o presidente americano Donald Trump afirmou que não existem negociações em andamento com Teerã e declarou que não pretende reabrir as conversas.
Trump também descartou a possibilidade de estender o cessar-fogo de 60 dias, que chegou ao fim na segunda-feira (17) após o acordo deixar de ser efetivamente cumprido.
Emirados suspendem relações comerciais com Irã
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta quarta-feira a suspensão, por tempo indeterminado, de atividades comerciais, intercâmbios e transações financeiras com o Irã.
A decisão ocorreu um dia depois de o Ministério da Defesa dos Emirados informar que havia identificado dois mísseis balísticos lançados do território iraniano em direção às águas territoriais do país.
Segundo as autoridades emiradenses, os dois projéteis caíram no mar e não provocaram vítimas ou danos materiais.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, negou que o país tenha realizado qualquer ataque contra os Emirados Árabes Unidos.
Estreito de Ormuz continua no centro da crise
O controle do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas utilizadas no transporte mundial de petróleo, permanece entre os principais pontos de tensão na região.
Donald Trump tem afirmado que a passagem continua aberta e sob controle dos Estados Unidos. Apesar disso, o movimento de embarcações pelo estreito permanece em níveis muito baixos.
Nesta semana, um navio cargueiro que atravessava a região foi alvo de um ataque que deixou uma pessoa morta.
A Fox News informou na terça-feira que um porta-voz militar iraniano teria feito uma ameaça aos navios que tentarem atravessar o estreito, afirmando que eles “vão encontrar alguns belos buracos em seus cascos”.
Trump amplia críticas a aliados
O presidente dos Estados Unidos também aumentou as críticas dirigidas a países tradicionalmente aliados de Washington.
Na segunda-feira (17), Trump ameaçou bombardear Omã caso o país “atrapalhe” os objetivos americanos no Oriente Médio.
O presidente também ordenou ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, que reduza de forma “substancial” os exercícios militares realizados em conjunto com a Coreia do Sul.
Trump acusou Seul de não contribuir com as operações militares americanas contra o Irã e mencionou ainda a relação amistosa mantida pelo governo sul-coreano com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un.