Após a decisão recente do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra a fonte de um jornalista maranhense, voltou a circular nas redes sociais uma entrevista concedida pelo ex-presidente da Corte Marco Aurélio Mello, na qual ele criticava a atuação do magistrado em processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A declaração foi dada em julho de 2025, quando Marco Aurélio questionou o fato de o processo contra Bolsonaro tramitar no STF, e não na Justiça comum. Para fazer a comparação, o ex-ministro citou o caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi preso em 2018 após ser condenado pela Justiça Federal em Curitiba.
“Supremo não é competente para julgar cidadão comum, para julgar originariamente ex-presidente da República, ex-deputado federal ou ex-senador. Basta que indaguemos: o atual presidente, quando respondeu criminalmente, ele o fez onde? Na 13ª Vara Criminal de Curitiba. A legislação não mudou. Por que o ex-presidente Bolsonaro está a responder no Supremo? Isso é inexplicável, e a história em si é impiedosa, vai cobrar essa postura do Supremo”, declarou.
Na entrevista ao Estadão, Marco Aurélio também demonstrou preocupação com possíveis restrições à liberdade de imprensa e com o que classificou como censura prévia diante das decisões tomadas por Moraes no caso envolvendo Bolsonaro. O ex-ministro criticou ainda limitações à manifestação pública do então réu e de outras pessoas.
“Eu só espero que essa postura não acabe intimidando a grande imprensa. E gere um cerceio e gere consequências inimagináveis. Não se coaduna com o Estado Democrático de Direito o que vem ocorrendo. Nós não tivemos isso sequer quando vivenciamos o regime de exceção, que foi o regime militar”, afirmou.
Marco Aurélio também fez críticas pessoais à atuação de Moraes e disse que gostaria de “colocar Moraes em um divã” para compreender os motivos por trás de suas decisões. Para o ex-ministro, a atuação do magistrado poderia provocar desgaste institucional ao Supremo.
“Eu teria que colocá-lo em um divã e fazer uma análise talvez mediante um ato maior, e uma análise do que ele pensa, o que está por trás de tudo isso. O que eu digo é que essa atuação alargada do Supremo, e uma atuação tão incisiva, implica desgaste para a instituição… A história cobrará esses atos. Ele (Moraes) proibiu, por exemplo, diálogos. Mordaça, censura prévia, em pleno século que estamos vivendo. É incompreensível”, disse.
As declarações voltaram a ganhar repercussão após Moraes autorizar, na terça-feira (11), uma operação de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança do Maranhão.
Segundo a Polícia Federal (PF), Cutrim teria sido identificado como principal fonte do jornalista Luís Pablo em reportagens publicadas no fim de 2025. Os textos questionavam o suposto uso indevido de veículos oficiais pela família do ministro Flávio Dino.