As negociações entre o governo interino da Venezuela e uma ala da oposição, com apoio dos Estados Unidos, começaram nesta quinta-feira (6) após quase uma semana de atraso.
O objetivo das conversas é discutir uma reformulação do sistema político venezuelano antes de possíveis novas eleições no país.
O primeiro encontro ocorreu a portas fechadas, no Centro de Convenções de La Carlota, uma instalação militar localizada em Caracas. A imprensa não teve acesso à reunião e não houve declarações públicas das delegações. Apenas fotógrafos puderam registrar o início das negociações.
A mesa de diálogo foi conduzida por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional venezuelana e irmão da presidente interina Delcy Rodríguez. Ele também tem histórico como negociador em diálogos anteriores envolvendo o governo venezuelano, os Estados Unidos e grupos de oposição.
Do outro lado da negociação estava Dinorah Figuera, líder de um grupo da Assembleia Nacional de maioria oposicionista eleita em 2015, quando a oposição conquistou a maior parte das cadeiras do Parlamento. Essa legislatura ainda é reconhecida pelos Estados Unidos como a última Assembleia Nacional venezuelana eleita de forma democrática.
“Hoje demos início ao processo que traçará o caminho rumo à democracia e à reinstitucionalização da Venezuela”, afirmou Figuera em uma publicação na rede social X.
Compromisso com uma solução política
Em um comunicado conjunto divulgado após o encontro, os negociadores afirmaram que o processo será baseado no respeito à soberania nacional, na negociação de boa-fé, na proteção dos direitos humanos e na garantia dos direitos políticos de todos os grupos envolvidos.
As partes também declararam buscar uma “solução política, pacífica, democrática e constitucional” para a crise venezuelana.
O diálogo ocorre em meio a anos de instabilidade política na Venezuela, marcada por disputas entre governo e oposição, questionamentos sobre processos eleitorais e sanções internacionais.
As negociações são vistas como uma tentativa de criar condições para uma reorganização institucional do país e abrir caminho para futuros processos eleitorais.