A jornalista e colunista Carolina Brígido publicou uma análise sobre a atuação do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF) e avaliou que ele já exerce, informalmente, um papel de destaque na interlocução da Corte com outras instituições.
Segundo a análise publicada pelo Estadão, a mudança oficial no comando do Supremo está prevista para setembro de 2027, mas a transição de funções já estaria sendo percebida na atuação de Moraes.
Brígido destaca que o ministro passou a representar o STF em encontros com integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo, além de promover reuniões com representantes do Judiciário.
Um dos exemplos citados pela jornalista foi a audiência pública conduzida por Moraes com presidentes de tribunais de diferentes regiões do país para discutir estratégias de enfrentamento ao crime organizado. Representantes do Ministério da Justiça, da Procuradoria-Geral da República (PGR), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de prefeituras também participaram das discussões.
De acordo com a análise, Moraes convocou os encontros na condição de relator de ações relacionadas à Lei Antifacção. O atual presidente do STF, Edson Fachin, participou da reunião como convidado.
Aproximação com Executivo e Legislativo
Carolina Brígido também chama atenção para a aproximação de Moraes com integrantes dos demais Poderes.
Durante o recesso de julho, quando ocupou interinamente a Presidência do STF, o ministro esteve no Palácio do Planalto para participar de uma cerimônia de sanção de leis relacionadas à proteção das mulheres. Após o evento, aceitou um convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um café.
A jornalista também cita um jantar realizado na residência de Moraes, em Brasília, que reuniu Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Segundo a análise, o encontro contribuiu para aproximar os chefes dos três Poderes.
Disputa de espaço no Supremo
A análise de Brígido também aborda a relação entre Moraes e outros ministros do STF e avalia como a futura mudança no comando da Corte pode alterar o equilíbrio interno.
Segundo a jornalista, Fachin mantém um perfil mais discreto no relacionamento com autoridades e teria uma estratégia própria para o restante de sua gestão.
Brígido cita ainda a possibilidade de encerramento do chamado inquérito das fake news, relatado por Moraes. Na avaliação apresentada no texto, o encerramento do processo poderia reduzir parte dos poderes concentrados atualmente nas mãos do ministro.
A jornalista, porém, ressalta que, caso Moraes assuma a Presidência do Supremo, ele poderá ter condições de instaurar um novo inquérito semelhante, seguindo um precedente estabelecido durante a gestão de Dias Toffoli.
A análise publicada pelo Estadão apresenta, portanto, a avaliação de Carolina Brígido sobre a movimentação política e institucional dentro do STF e sobre o espaço que Alexandre de Moraes vem ocupando antes de uma eventual mudança formal no comando da Corte.
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