O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prevê um aporte de R$ 6 bilhões nos Correios em 2027. O valor deverá constar na Proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA), que será encaminhada ao Congresso Nacional na próxima segunda-feira (31).
Segundo o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, a previsão está relacionada a uma obrigação assumida pela União no contrato firmado com bancos que concederam um empréstimo de R$ 12 bilhões à estatal no fim de 2025.
“Nós vamos cumprir religiosamente a obrigação contratual que nós temos. Vamos cumprir dentro das regras fiscais”, afirmou o ministro.
Crise financeira
Os Correios enfrentam uma grave crise financeira e acumulam prejuízos desde 2022. Em 2025, o resultado negativo chegou a R$ 8,5 bilhões.
No primeiro trimestre de 2026, a estatal registrou prejuízo de R$ 3,16 bilhões, quase o dobro do resultado negativo registrado no mesmo período do ano anterior.
Até o momento, a União não realizou aporte direto na empresa. O governo, porém, ofereceu garantia ao empréstimo de R$ 12 bilhões contratado pelos Correios, assumindo a responsabilidade pela dívida caso a estatal não consiga cumprir os pagamentos.
Aporte foi previsto em contrato
O compromisso de injetar recursos nos Correios foi uma exigência dos cinco bancos que participaram da operação de crédito: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander.
Pelo contrato, a União se comprometeu a realizar aportes de pelo menos R$ 6 bilhões entre 2026 e 2027.
A previsão de concentrar o valor no próximo ano ocorre em um momento de forte restrição orçamentária. O governo avalia que um aporte de R$ 6 bilhões ainda em 2026 seria “muito difícil” diante do bloqueio de R$ 17,9 bilhões no Orçamento, medida adotada para compensar o crescimento das despesas obrigatórias.
Correios negociam novo empréstimo
Além do empréstimo de R$ 12 bilhões contratado no ano passado, os Correios negociam uma nova operação de crédito de aproximadamente R$ 7 bilhões.
Os recursos deverão ajudar a financiar o plano de reestruturação da empresa, que prevê medidas para reduzir despesas e melhorar o resultado financeiro.
Entre as ações estão um programa de demissão voluntária, venda de imóveis, renegociação de contratos e mudanças na jornada de trabalho e no plano de saúde dos funcionários.
A situação financeira da estatal deverá continuar sendo acompanhada pelo governo nos próximos meses, enquanto os Correios buscam reduzir o déficit e recuperar sua capacidade de operação.