A Suíça é uma das maiores exportadoras de café do mundo, apesar de não produzir praticamente nenhum grão. O país, conhecido internacionalmente por seus chocolates, queijos e relógios, encontrou no processamento e na comercialização do café uma atividade altamente lucrativa.
O segredo está em uma estratégia de importação, processamento e reexportação. A Suíça compra café de grandes produtores, como Brasil, Colômbia e Etiópia, leva os grãos para o país, realiza processos como torrefação e beneficiamento e, depois, revende o produto para consumidores de diversas partes do mundo.
Esse processo permite agregar um valor significativo ao produto. Um quilo de café comprado por cerca de US$ 5 pode chegar ao mercado internacional valendo mais de US$ 27 depois de passar pelas etapas de processamento, industrialização e comercialização.
Nespresso ajudou a impulsionar o setor
Um dos principais símbolos da força suíça no mercado de café é a Nespresso, marca que ajudou a popularizar o consumo de café em cápsulas em diversos países.
A empresa transformou o café em um produto de maior valor agregado ao combinar tecnologia, processamento, embalagem e uma estratégia de marketing voltada para o mercado premium.
O modelo ajudou a consolidar a Suíça como um importante centro mundial da indústria cafeeira, mesmo sem possuir condições climáticas para cultivar o produto em larga escala.
Valor está além da produção
O caso suíço mostra que, na cadeia global do café, produzir o grão é apenas uma das etapas do negócio. Países que controlam o processamento, a industrialização, a distribuição e a criação de marcas conseguem capturar uma parcela maior do valor gerado pelo produto.
Enquanto países tropicais, como o Brasil, concentram grande parte da produção agrícola, a Suíça se especializou nas etapas posteriores da cadeia.
Com isso, o café se tornou um dos produtos de exportação de maior importância para a economia suíça e ganhou espaço ao lado de alguns dos símbolos tradicionais do país, como chocolate e queijo.
A trajetória suíça revela como um país sem plantações de café conseguiu transformar um produto importado em uma importante fonte de riqueza por meio de tecnologia, processamento, marcas globais e comércio internacional.
