Clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro aprovaram, em reunião realizada na tarde desta segunda-feira, em um hotel no Rio de Janeiro, um conjunto de medidas para combater a chamada “cera” e reduzir o tempo de jogo parado. As novas regras começarão a ser aplicadas a partir da 23ª rodada das duas competições.
Grande parte das mudanças foi testada na última Copa do Mundo e tem como objetivo combater práticas de antijogo e aumentar o tempo de bola em movimento. Entre as novidades está o chamado “Protocolo Vini Jr.”, ou Lei Vini Jr., que prevê cartão vermelho para o jogador que cobrir a boca durante uma discussão com um adversário.
Outra medida aprovada determina que, quando um goleiro solicitar atendimento médico, um jogador de linha da mesma equipe deverá deixar o campo por um minuto. A regra não foi utilizada na última Copa do Mundo, mas será adotada também pelas ligas da Inglaterra e da Espanha na próxima temporada.
A medida tem como objetivo reduzir o uso de supostas lesões de goleiros como estratégia para interromper a partida. Segundo o departamento de arbitragem da CBF, essas paralisações podem ser aproveitadas pelas comissões técnicas para transmitir orientações aos jogadores, além de atrasarem o reinício do confronto.
Nessa situação, haverá duas formas de definir qual jogador deixará o campo. O treinador poderá indicar o atleta em até 10 segundos ou o capitão deverá sair assim que a equipe médica entrar para atender o goleiro. Caso o próprio goleiro seja o capitão, um jogador será previamente sorteado para cumprir a punição.
A CBF também apresentou um levantamento sobre o tempo efetivo de bola rolando nas principais ligas do mundo e nas duas principais divisões do futebol brasileiro. Com média de 52min54s, a Série A do Brasileirão supera apenas o Campeonato Argentino entre as competições analisadas.
Os números apresentados pela entidade são:
- MLS (EUA) – 57min12s de bola rolando em 2026
- Bundesliga (Alemanha) – 56min18s em 2026
- Ligue 1 (França) – 56min17s
- Premier League (Inglaterra) – 55min23s
- LaLiga (Espanha) – 55min09s
- Serie A (Itália) – 54min28s
- Brasileirão Série A – 52min54s
- Brasileirão Série B – 51min09s
- LPF Apertura (Argentina) – 50min02s
A meta estabelecida pela CBF é elevar o tempo de bola rolando para 57 minutos com a aplicação das novas medidas. Para alcançar esse resultado, no entanto, a entidade também considera fundamental a mudança de comportamento de árbitros e jogadores, principalmente na redução das faltas, do tempo gasto nas cobranças, das interrupções para atendimento médico e das paralisações provocadas pelo VAR.
Segundo o levantamento apresentado pela CBF, seria possível recuperar 6min22s de tempo de jogo considerando quatro situações:
- 203 segundos perdidos, em média, com faltas;
- 113 segundos gastos com reposição de bola;
- 50 segundos utilizados em atendimentos médicos;
- 16 segundos destinados ao uso do VAR.
Confira as novas regras
Cinco segundos para cobrança de lateral
Quando o árbitro identificar que uma cobrança de lateral está sendo atrasada de forma deliberada, ele deverá apitar e iniciar uma contagem regressiva visual de cinco segundos, utilizando os dedos da mão.
Se o jogador não realizar a cobrança dentro do período determinado, a posse de bola será concedida ao adversário, que terá o direito de executar o lateral.
Cinco segundos para cobrança de tiro de meta
A mesma regra será aplicada aos tiros de meta. Caso o árbitro perceba que o reinício está sendo propositalmente retardado, deverá apitar e fazer uma contagem regressiva visual de cinco segundos.
Se a cobrança não for realizada nesse intervalo, o adversário ganhará um escanteio.
Dez segundos para deixar o campo em uma substituição
O jogador substituído terá 10 segundos para deixar o campo depois que o quarto árbitro levantar a placa indicando a alteração. Nos cinco segundos finais, o árbitro sinalizará a contagem com a mão.
A regra não será aplicada quando o atleta estiver lesionado e demonstrar claramente que não consegue deixar o campo por conta própria.
Caso o jogador demore além do tempo determinado sem justificativa, o substituto terá de esperar um minuto antes de entrar. Durante esse período, a equipe ficará com um jogador a menos.
Um minuto fora após atendimento médico
Jogadores que deixarem o campo para receber atendimento médico deverão permanecer fora por pelo menos um minuto antes de retornar. A medida busca evitar que atendimentos sejam utilizados como recurso para interromper o ritmo da partida.
Quando o jogador atendido for o goleiro, um atleta de linha da mesma equipe deverá cumprir o período de um minuto fora do campo.
Lei Vini Jr.
O jogador titular, reserva ou substituído será expulso caso cubra a boca enquanto se comunica com um adversário de maneira considerada provocativa, depreciativa ou inflamatória.
VAR poderá corrigir segundo cartão amarelo
O protocolo do VAR, que anteriormente estava limitado a situações envolvendo gols, pênaltis, cartões vermelhos diretos e erros de identificação, terá sua atuação ampliada.
A partir da Copa do Mundo, o árbitro de vídeo poderá intervir quando um segundo cartão amarelo for aplicado equivocadamente e resultar na expulsão de um jogador.
A partir de 2027, a possibilidade de revisão será ampliada para situações em que um escanteio concedido de maneira equivocada resultar diretamente em gol ou pênalti.
Por se tratarem de erros considerados objetivos, a comunicação poderá ser feita diretamente à equipe de arbitragem, sem a necessidade de o árbitro se deslocar até o monitor à beira do campo para analisar a jogada.