O Brasil registrou 1.576 notificações de casos suspeitos da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) entre 2005 e 2021, segundo dados do Ministério da Saúde. A enfermidade é rara, provoca uma rápida deterioração das funções neurológicas e, atualmente, não possui tratamento capaz de interromper sua progressão.
A DCJ pertence ao grupo das encefalopatias espongiformes transmissíveis e está relacionada à ação de príons, proteínas anormais que podem se acumular no cérebro e provocar alterações no tecido nervoso.
A evolução da doença costuma ser muito mais rápida do que a observada em outras doenças neurodegenerativas. Cerca de 90% dos pacientes morrem dentro de um ano após o início dos sintomas, de acordo com informações do Ministério da Saúde.
São Paulo concentra maior número de notificações
A doença integra a Lista Nacional de Doenças de Notificação Compulsória desde 2005. O acompanhamento dos casos permite às autoridades conhecer melhor a distribuição da enfermidade e estabelecer medidas de biossegurança.
Entre os estados brasileiros, São Paulo apresentou o maior número de notificações suspeitas, com 512 registros. Na sequência aparecem Paraná, com 189, e Minas Gerais, com 158.
A maior parte das notificações ocorreu entre pessoas com 55 a 74 anos.
Sintomas aparecem e evoluem rapidamente
A DCJ pode provocar uma série de alterações neurológicas, que tendem a evoluir rapidamente. Entre os principais sinais estão:
- perda de coordenação motora e tremores;
- espasmos musculares involuntários;
- alterações de memória e raciocínio;
- confusão mental e demência;
- dificuldades de fala e visão;
- alterações do sono e fadiga;
- perda progressiva de movimentos.
Maioria dos casos ocorre de forma espontânea
A forma esporádica é responsável pela maioria dos casos de DCJ. Nessa modalidade, a causa exata do surgimento da doença ainda não é conhecida e não há um padrão de transmissão estabelecido.
Também existem formas hereditárias, relacionadas a alterações genéticas familiares, e casos iatrogênicos, extremamente raros, associados à exposição acidental durante determinados procedimentos médicos.
Outra forma, igualmente rara, está relacionada ao consumo de carne contaminada pela encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como doença da vaca louca.
A DCJ não é transmitida pelo contato social comum nem pelo ar.
Tratamento é voltado ao controle dos sintomas
Até o momento, não existe terapia capaz de reverter ou interromper a evolução da doença. Por isso, o atendimento é direcionado principalmente ao controle dos sintomas e à oferta de cuidados paliativos, com acompanhamento multidisciplinar.
A rápida progressão da DCJ torna o diagnóstico e o acompanhamento médico fundamentais para orientar os cuidados necessários ao paciente e à família.
