Parte dos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou positivamente, nos bastidores, o vazamento da íntegra de um relatório da Polícia Federal (PF) que trata das relações da empresária e lobista Roberta Luchsinger com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e ex-chefe de gabinete do presidente.
O documento foi divulgado pela revista Veja no início da campanha eleitoral. Na avaliação de auxiliares do governo, a publicação integral do material pode ser menos prejudicial do que a divulgação de informações de forma fragmentada ao longo do período eleitoral.
A preocupação desses aliados é com os chamados “vazamentos pingados”, que poderiam manter o assunto em evidência durante semanas e transformar o caso em um dos temas recorrentes da campanha. Com a divulgação de todo o conteúdo de uma só vez, a expectativa é de que as informações sejam conhecidas e discutidas de maneira concentrada, reduzindo o risco de novas revelações na reta final da disputa.
“Melhor limpar isso. Mostra tudo e cada um que responda pelos seus BOs. Não dá para virar uma novela”, afirmou, sob reserva, um influente auxiliar de Lula.
Manifestação da PGR
Outro vazamento que teria sido recebido de forma positiva por integrantes do entorno presidencial foi a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) que pede ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça o envio à primeira instância de um dos inquéritos que investigam Lulinha por suspeita de tráfico de influência.
A avaliação de aliados de Lula está relacionada principalmente ao conteúdo do documento apresentado pela PGR. Segundo a manifestação, a Polícia Federal não teria identificado a conclusão de nenhum negócio entre o empresário conhecido como “Careca do INSS” e o governo federal, apesar do lobby atribuído a Lulinha e Roberta Luchsinger.
Para esses aliados, a manifestação da PGR ajuda a estabelecer uma distinção entre os fatos que foram identificados pelos investigadores e aquilo que ainda não teria sido comprovado no curso das apurações.
Embora a Procuradoria defenda a continuidade das investigações, a interpretação no entorno do presidente é de que o documento delimita o alcance das evidências reunidas até o momento e pode evitar que suspeitas sejam apresentadas como fatos já comprovados.
O caso envolvendo Lulinha, Roberta Luchsinger e as investigações sobre possíveis relações com o chamado “Careca do INSS” deve continuar no radar político durante a campanha eleitoral, especialmente diante da possibilidade de novos desdobramentos das apurações.
