Apesar de manter a liderança absoluta entre os canais esportivos da TV por assinatura durante a Copa do Mundo de 2026, o Sportv tem enfrentado críticas pela perda de influência na cobertura do torneio. Nas redes sociais, a emissora deixou de liderar os debates e viu concorrentes como ESPN Brasil, TNT Sports e até a CazéTV ganharem maior repercussão entre os torcedores.
Segundo dados nacionais do Ibope, o Sportv registrou audiência 77% superior à da segunda colocada na fase de grupos. Ainda assim, especialistas avaliam que o canal perdeu relevância no ambiente digital, onde grande parte da discussão sobre a Copa acontece.
Um dos críticos foi Raul Costa Jr., ex-diretor do Sportv entre 2009 e 2017, que fez um desabafo nas redes sociais.
“Muito triste por terem destruído o Sportv. O canal que ficou 24 horas no ar com cobertura da Copa de 2014 tem presença irrelevante na Copa de 2026.”
Segundo ele, a marca deixou de ser referência para o público que buscava uma alternativa à transmissão da TV aberta e terá dificuldades para recuperar o espaço perdido.
Os três fatores apontados para a perda de força
1. Falta de repercussão nas redes sociais
Na avaliação de analistas, o Sportv não conseguiu transformar sua cobertura em assunto nas plataformas digitais. Enquanto os momentos mais comentados após a eliminação do Brasil para a Noruega partiram de conteúdos da ESPN Brasil e da TNT Sports, o canal da Globo teve pouca presença entre os vídeos mais compartilhados.
Até mesmo o ge, portal esportivo do Grupo Globo, acabou obtendo maior engajamento digital durante o Mundial.
2. Programação considerada menos atrativa
Outro ponto citado é a mudança no formato da cobertura. Em 2014, durante a Copa realizada no Brasil, o Sportv apostou em atrações especiais como Extra Ordinários e É Campeão, reunindo jornalistas, artistas e campeões mundiais para debates.
Em 2026, a principal aposta foi o Seleção Sportv, comandado por André Rizek, além de programas como Fatiada, que misturam futebol, humor e influenciadores digitais.
Para parte do público, os novos formatos não alcançaram o mesmo impacto das edições anteriores.
3. Maior espaço para ex-jogadores
A emissora também ampliou o número de comentaristas ex-atletas, como Felipe Melo, Renato Augusto e Andrés D’Alessandro.
Embora sejam nomes conhecidos do futebol brasileiro, críticos afirmam que a estratégia não gerou o mesmo peso técnico de edições passadas, que contaram com campeões mundiais como Lothar Matthäus, Daniel Passarella, Fabio Cannavaro e Carlos Alberto Torres.
Enquanto isso, concorrentes apostaram em jornalistas esportivos experientes e em formatos voltados ao debate e à interação nas redes sociais, o que contribuiu para ampliar a repercussão de seus conteúdos durante a Copa do Mundo.